Foram poucas horas, mas o apagão que se evidenciou na última quarta-feira, na região oeste, deu mostra do quanto somos debilitados diante dos fenômenos naturais que abalam Santa Catarina. O olho do furacão tem constantemente direcionado seu olhar para nossa região, deixando um rastro de tragédias e prejuízos incalculáveis.
A cada infausto, percebemos o quanto o poder público é impotente tanto na prevenção quanto na recuperação dos danos causados por esses fenômenos.
As horas passadas sem luz foram importantes para refletimos o quanto nos tornamos dependentes de todas as engenhocas da modernidade. Imagine, leitor, que nem sabia mais o que era uma vela dentro de casa. Diante da impossibilidade de qualquer ação, restou-me, mero mortal, deitar-me e esperar passivamente que a luz voltasse e com ela a minha vida normal. São nessas horas que precisamos analisar o quanto somos arrogantes em pensarmos que estamos acima de tudo. Na verdade, a humanidade é apenas mais uma espécie a habitar o planeta. E, em muitas situações, menos capaz de lidar com adversidades, do que espécies muito menos “evoluídas”.
Os homens e as mulheres precisam voltar seus olhos para a preservação ambiental. Apesar do que já fora devastado, é possível ainda se recuperar muita coisa. Ou, na pior das hipóteses, evitar que as coisas tornem-se ainda mais terríveis. São atitudes simples, mas que, no conjunto, podem colaborar para avançar no que chamamos de desenvolvimento sustentável. Um exemplo prático. Tenho sido insistente em evitar o uso e sacos plásticos. Às vezes, você compra uma bala e a balconista a coloca numa sacolinha. Com gentileza, tento devolver todas. Será lixo desnecessário que só contribuirá para a devastação da natureza, e manterá o círculo vicioso da tragédia ambiental. Reflita. Se todos tiverem essa atitude, quantas toneladas de lixo evitaremos jogar em rios, encostas e áreas de preservação? Alguém notou nos dias de cheia dos rios que cortam a região a quantidade de entulho em suas margens?
Alguns vão dizer que tudo não passa de papo ambientalista, de quem não tem o que fazer. A escolha é sua. As consequências nem sempre o serão. Pois a irresponsabilidade ambiental nos afeta coletivamente. Quantas vezes me irrito com a cena de pessoas completamente ignorantes lavando as calçadas e até o asfalto com água potável. O desperdício delas será no futuro prejuízo de toda humanidade. Apesar dos percalços, a falta de luz permitiu que uma luz se abrisse no sentido de pensar sobre a minha responsabilidade ambiental. Reflita você também sobre isso.