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O design nos une

Até 19 de junho próximo, a Associação Empresarial de Criciúma (Acic) apresentará a exposição “O Design nos Une”, com trabalhos acadêmicos dos três cursos superiores da cidade: design de produto (Unesc), design de moda (Senai/Unesc) e design gráfico (Satc). Todos elaborados com o apoio de empresas parceiras, como a Ceusa, La Moda, Torrecid, Mattiz, Solugrav e Sebrae. 

O evento é parte integrante da Bienal Brasileira de Design, na categoria “Evento Paralelo”, que ocorre neste ano em Florianópolis durante os meses de maio e junho. A Bienal Brasileira muda de endereço a cada dois anos, pois, entre outros objetivos, se propõe a valorizar o design regional em todas as suas vertentes. Sua edição deste ano intitula-se “O Design Para Todos” e tem a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) como principal apoiadora, uma vez que Santa Catarina começou a utilizar o design em suas produções mesmo antes de ter um curso específico. Hoje, depois de São Paulo, é o estado que mais possui cursos técnicos e superiores, totalizando 76 (acrescentando-se a essa lista mestrados e doutorado), aliados a uma economia diversificada que aposta na pesquisa, inovação e competitividade. 

Mas o que fez três escolas superiores se unirem para propor um evento paralelo em conjunto? A resposta é simples e construída com a experiência. Vencer os obstáculos que ainda existem para absorver a cultura projetual do desenvolvimento de novos produtos, sejam bi ou tri dimensionais, na área de comunicação, vestuário ou bens de consumo. 

O design não se apresenta isoladamente, falamos em processo desde a sua concepção até a chegada ao mercado, cujo foco está no usuário. Será este usuário quem irá definir o êxito ou o fracasso, quem irá reconhecer o valor, transformando-o em campeão de vendas, ou quem o rejeitará, uma vez que não despertou sua empatia. Trabalhamos com atributos funcionais, estéticos e simbólicos impossíveis de serem dissociados, dependendo do seu segmento de mercado. A abordagem é multidisciplinar, envolvendo várias áreas do conhecimento, desde as engenharias e processos produtivos e industriais até o marketing; estratégias comerciais, ergonomia e fatores ambientais, sem nunca perder de vista a importância do projeto. 

Falar em design é falar em melhoria do bem-estar e da qualidade de vida acessível a um número maior de consumidores, de modo ético e responsável. Desde o surgimento das primeiras escolas de design, na Alemanha, a proposta se mantém: desenvolver soluções para determinadas culturas, compatibilizando condicionantes produtivos, mercadológicos e esteticamente válidos. Daquele momento até o presente, houve uma maior penetração em vários setores produtivos impensados e até alguns desvios, o que fez, em alguns casos, com que fosse associado a marcas caras e inacessíveis. Mas seu universo de aplicação é demasiadamente amplo, desde simples vassouras, que procuram se adequar aos diferentes usuários, até os automóveis, sejam populares ou sofisticados e esportivos, ou mesmo uma logomarca ou revista informativa que requer uma boa legibilidade, ou até determinados tecidos que estarão em contato permanente com nossa pele. 

Como afirma o designer Karim Rashid, “design é resolver problemas, é moldar o futuro, não é uma questão de estilo”. Pensar em design é também pensar em oportunidades e negócios. Inovar. Há muitos exemplos de empresas que investiram nessa ferramenta e em médio prazo aumentaram suas vendas. Estas experiências não são casuais ou mesmo frutos da sorte. São construídas com informação, criatividade e método. Talvez a dificuldade esteja em aceitar que, muitas vezes, o processo não é linear e avalia várias possibilidades, com múltiplas informações.

Os designers convivem com processos experimentais e riscos na busca constante de aprimoramento. Muitos se transformam em empreendedores de suas próprias ideias, pois não encontram outras possibilidades de colocá-las em prática. Talvez este tenha sido o principal estímulo da exposição, o de demonstrar as inúmeras formas de aplicação que se iniciam dentro das três escolas: Satc, Senai e Unesc.

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