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O medo da gripe A

 

Nas últimas semanas, muito se comenta sobre a gripe A e o que consideram a salvação, a vacina H1N1. Sua prevenção começa com a aplicação da vacina específica a partir do início do outono, preparando os organismos humanos para enfrentar possível contaminação com a chegada do inverno.
 
O governo tentou fazer seu dever distribuindo vacinas, não para toda a população, mas para grupos, considerados por eles de risco. Para a abrangência da região de Tubarão, com certeza, foram destinadas doses insuficientes de vacinas, posteriormente confirmada pela enorme procura em serviços particulares.  
 
A nossa região é de grande incidência de problemas respiratórios, principalmente altos, nem sempre infecciosos, mas também alérgicos, que no conceito popular está no ar respirado. Resfriados, alergias e gripes são confundidos. 
 
À medida que casos suspeitos da temível gripe A foram surgindo e internados, a preocupação das pessoas aumentou. Quando a imprensa divulgou um óbito, as “antenas” foram acionadas, surgindo uma busca maior pela imunização, que não foi encontrada na rede pública. Com o segundo e terceiro óbitos, a população municipal e de municípios vizinhos entrou num quase pânico, não entendido por quem deveria estar prevenindo.
 
Têm clínicas em Tubarão que vacinam seus clientes desde tempos passados, quando passou a existir a vacina. Nos dias atuais, têm quebradas suas rotinas diárias para atender milhares de pessoas que buscam a imunização.  
 
A vacina tem custo de aquisição, transporte, conservação em determinada baixa temperatura em recipiente próprio. Soma-se a responsabilidade da aplicação, com pessoal da área, exclusão dos alérgicos, buscando o melhor local e assepsia, o devido descarte da embalagem, orientações sobre possíveis dúvidas pós-vacinais em casos de dúvidas ou até raras complicações. Cumprir todas as normas envolve gastos, diretos e indiretos, elevando o preço praticado pelo fabricante. 
 
O que assistimos nas últimas semanas, longas filas, em busca da vacina em entidades particulares de saúde, reflete falhas do poder público. Assistimos, dias atrás, representante da área federal, no Vale do Itajaí, negar reforços vacinais para nosso estado, o mais atingido de todo o país. Em contrapartida, ofereceu a garantia de medicar os casos surgidos e profilaticamente os suspeitos. Com certeza, o gasto com a medicação será bem mais alto do que o vacinal.
 
O que a população deseja é tranquilidade, só conseguida com a vacinação, de preferência oficial, gratuita. Aguardar o surgimento de possível infecção para receber cápsulas, como preventivo ou tratamento, é com certeza angustiante. No povo, permanece a insatisfação, a angústia no aguardo de possível contaminação, buscando a cada dúvida um superlotado serviço de saúde, quando podia tranquilamente conviver com as alterações surgidas. Que nos próximos anos não seja cometida a mesma displicência.
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