Que a nossa região se desenvolve, muito lentamente, devido à debilidade de nossa representação política, todos sabem. Que perdemos oportunidades, investimentos, vidas, emprego e renda, devido à forma medíocre como somos representados, também é sabido.
Aos poucos, o pesado custo desta representação pífia é quantificado. Sabe-se, por exemplo, o quanto, de fato, a região perde. Somente com a demora da duplicação da BR-101, sem contar outras obras que andam a passos lentos, como é o caso do Aeroporto Regional. Ele levou 14 anos até receber a autorização da Anac, faltando ainda o acerto com as empresas aéreas. Não se faz referência à qualidade e ao valor da obra e aos terrenos não pagos aos respectivos proprietários. (Quando fui vereador, participei de sessões das câmaras de diversos municípios, para sensibilizar os vereadores a autorizarem os seus respectivos prefeitos para pagarem. Quando fui prefeito interino, paguei a parcela de Tubarão que vencia).
Pela importância do empreendimento, para a redenção econômica da região e melhoria da qualidade de vida das pessoas, em qualquer outra parte do mundo seria pago, construído, autorizado e funcionando para voos regulares em bem menos tempo. Louve-se, no entanto, os pioneiros e os abnegados.
Retornando à duplicação da BR-101, estudos da Unisul, solicitados pela Fiesc, concluíram que houve perdas de R$ 32,74 bilhões, graças à demora para a duplicação. Sem contar as vidas perdidas, que jamais serão recuperadas.
Estudos do instituto Jordam, publicado no Jornal Diário Catarinense, mostraram que as cidades ladeadas ou cindidas pela BR-101 – entre Palhoça e Joinville, ou seja, o trecho duplicado – obtiveram crescimento no PIB, nos últimos dez anos, de 476%, praticamente o dobro do estado, que no mesmo período foi de 276%.
Quanto aos empregos (janeiro a dezembro de 2013), enquanto a Grande Florianópolis criou 14.052; Itajaí, 6.083 e Joinville, 7.868 – todos duplicados – o sul criou só 5.058.
Barra Velha recebeu a Havam e outros investimentos (crescimento do PIB, 599%, em dez anos); Garuva, a fábrica de tratores LS Mtron ( 944%); Itajaí, graças ao porto, a APM Terminals (986%); Araquari, que em breve receberá a primeira fábrica da BMW na América Latina (536%). E Tubarão? Salvo, exceções de praxe, vive de anúncios e recusas de empresas, como foi o caso da italiana Cimolai e tantas outras.
Mais do que natural. Quem vai instalar o seu empreendimento em um local que, em determinada época do ano, precisa de três ou até quatro horas para vencer um trecho que, em situação normal, levaria 30 minutos, como é o trecho Tubarão-Laguna no verão?
É evidente: o eixo norte, que puxa o crescimento da economia catarinense em três polos – o metal mecânico, de Joinville, o logístico portuário, da foz do Rio Itajaí-Açu e o econômico diversificado da Grande Florianópolis – conta, além da duplicação da 101, também com portos (São Francisco, Itajaí, Itapoá) e aeroportos (Navegantes, Joinville e Florianópolis).
Quer dizer, qualifiquemos a nossa representação política, por meio do voto, ou continuaremos caminhando a passos de tartaruga, enquanto problemas de toda ordem se agravam?
