Prof. Maurício da Silva
Mestre Em Educação
Na eleição suplementar para eleger o governador de Tocantins, no mês passado – o eleito e a vice, em 2014, foram cassados – a soma dos votos nulos e as abstenções (mais de 527 mil) foi bem maior que a soma dos votos dos concorrentes (490.461).
Foi um duro recado da maioria dos eleitores, compreensível, mas inútil. A eleição não foi anulada, como equivocadamente pregam alguns, e, os que se abstiveram ou anularam o voto não poderão reclamar do que fará o governador eleito porque tiveram a oportunidade de escolher, mas optaram por se omitir.
É compreensível a decepção da população com a conduta criminosa ou ineficiente de muitas autoridades – algumas delas estão presas, inclusive – mas não é se omitindo (votar nulo ou abster-se) que resolverá os problemas.
É agindo (votar bem e acompanhar os eleitos), o que significa votar: 1) Nos interesses coletivos (educação, saúde, segurança, infraestrutura etc.), em vez de nos interesses individuais, que constituem o início da corrupção. A delação de Paulo Roberto Costa, na Operação Lava Jato, mostrou que o roubo na Petrobrás serviu, principalmente, para a compra de votos. Não por acaso, no segundo turno em Santa Catarina, em 2016, “candidatos que venceram foram os que mais gastaram”.
2) No candidato preparado para executar a mencionada pauta coletiva ( a complexidade e a falência do setor público brasileiro não comportam amadorismo nem populismo), corajoso ( para eliminar privilégios que colocam o Brasil no topo dos países mais desiguais do mundo), comprometido com a coletividade (quem nunca foi, jamais o será depois de eleito), com vida pregressa ilibada (ninguém se torna bandido depois de eleito, já o era antes disso – apenas viu, na “politicalha”, novos horizontes para ampliar o banditismo) e com projetos consistentes e coerentes (legalidade, diagnóstico, meta, método, recurso, prazo etc.), em vez de votar no candidato do discurso fácil e irresponsável.
Como acompanhar o eleito? Se do poder Executivo, por meio do Portal de Transparência, da Lei do Acesso à Informação, da participação nos Conselhos Municipais, que é onde se decide como os recursos públicos são aplicados. Se for do poder Legislativo, por meio das pautas de votação, do acompanhamento das Sessões in loco ou on-line (Na presidência da Câmara de Tubarão, em 2006, iniciei a transmissão, em tempo real, via Internet, das Sessões do Legislativo municipal e levei, mensalmente, as Sessões da Câmara para os bairros).
O que garante retorno dos tantos impostos (cinco dos 12 salários anuais)? A escolha, pelo voto, de quem vai gerenciá-los. Não há opção? Faça-se opção, mas não se omita. E os corruptos? Deles se encarregará a justiça pondo fim, em definitivo, na impunidade.