Guilherme Cascaes nasceu em Tubarão e tem 31 anos. É casado e não tem filhos. Formado em administração pela Universidade do Sul de Santa Catarina, Unisul, ele gerencia a empresa da família, a Cascaes Refrigeração. Desde a sua infância, Guilherme sempre gostou de motos e seu objetivo era de um dia ter uma, e também o de participar de eventos relacionados ao automobilismo. Sonho que alcançou quando completou a maioridade e pôde ter a sua primeira motocicleta. O seu nome na região é sinônimo de vitórias no motociclismo. Como piloto, o tubaronense conquistou diversos títulos no enduro de regularidade. É bicampeão brasileiro: 2011 e 2012 e pentacampeão catarinense com os títulos de 2008, 2010, 2011, 2012 e 2013.
Jailson Vieira
Tubarão
Notisul – Quando será a sua próxima competição?
Cascaes – Ela inicia agora, neste fim de semana. É o maior desafio do ano. O Rali Internacional dos Sertões. É o segundo maior do mundo e faz parte do Rali Coss country. Estou muito ansioso, porém, feliz por defender a equipe Yamaha.
Notisul – Por que esse será o rali mais importante do ano? E a ansiedade é somente agora, ou ocorre sempre?
Cascaes – Toda prova causa aquele friozinho na barriga. Mesmo se você já tem um bom caminho. Sempre terei essa ansiedade, porque sou muito competitivo. Quando entro em um campeonato quero vencer. Os Sertões é o mais importante, pois vale uma etapa do Campeonato Mundial. O percurso é bem extenso, são quase quatro mil quilômetros durante oito dias. Então, é um desafio pessoal, além de ser um evento que leva piloto e máquina ao limite. Por isso dou certeza que essa é a prova mais importante. Estou pronto para a disputa!
Notisul – Por que a modalidade de motovelocidade?
Cascaes – Pratico enduro de velocidade e agora faço algumas provas de rali. Faço porque é uma competição que envolve adrenalina, velocidade, emoção. Somente quem curte moto pode definir o que é estar em cima da motocicleta e competir. Não há explicação. Enquanto puder competir, não terei alternativa.
Notisul – Desde que idade você pratica a moto velocidade? Quem te influenciou?
Cascaes – Sempre gostei de moto. Quando pequeno, pedi ao meu pai que me desse uma motinho, uma pandinha, e quando completei 16 ou 17 anos, alguns dos meus amigos compraram moto, começaram a praticar e fazer trilha. Foi aí que iniciei a participação de provas. É um esporte maravilhoso, que te dá a oportunidade de viajar muito, conhecer pessoas, culturas, lugares dos mais diversos. A modalidade me faz bem! Acredito que seja uma válvula de escape também para o estresse do dia a dia que o trabalho causa. Iniciou como mania de fim de semana, e hoje é um esporte sério. Participo de competições nacionais, rali internacional e defendo alguns patrocinadores, Yamaha e Grupo Geração. Tornou-se ainda o meu segundo trabalho.
Notisul – Quais são os perigos que uma moto oferece?
Cascaes – Quando embarcamos em uma moto corremos riscos. Ela traz um perigo maior. Embora andamos sempre equipados com capacete, cotoveleira, joelheira, colete e, com isso, procuro sempre andar no meu limite. Os treinos servem para conhecermos onde é o nosso limite e, claro, procurarmos não passar dele, porque é aí que mora o perigo!
Notisul – Quantas horas de treino por dia ou semana? E como é a sua preparação para as competições?
Cascaes – Faço exercícios funcionais e academia três vezes por semana, já a moto são duas vezes. Aos sábados faço 200 a 250 quilômetros de trilhas.
Notisul – Onde ocorrem os treinos?
Cascaes – Durante a semana, utilizo o circuito da nossa equipe, que é uma pista fechada. Está localizado em Tubarão mesmo. E nos fins de semana são trilhas mesmo. Saímos de Tubarão e vamos até Imbituba, Imaruí, Garopaba, Paulo Lopes. Caminhos percorridos por trilhas.
Notisul – Quantas competições você participou do início deste ano até agora? Quais ainda irá participar?
Cascaes – Participei entre 12 a 14 competições até o momento. Tenho ainda mais duas etapas do Campeonato Brasileiro, que ocorrem em São Paulo e também no Paraná e mais três etapas do Catarinense. Tenho boas competições até o fim deste ano e irei procurar fazer o melhor.
Notisul – Quais os equipamentos básicos são necessários? Você utiliza todos?
Cascaes – Toda competição somos obrigados a utilizar coletes, capacetes, óculos, luvas, botas joelheiras, cotoveleira e protetor cervical, além do protetor de pescoço. Esses são itens básicos que um piloto deve ter em uma competição e também é fundamental estar com eles nos treinos, porque nos testes também ocorrem as quedas.
Notisul – Qual foi a sua lesão mais séria? Saísse fora de alguma competição em função disso?
Cascaes – Em 2008, tive uma queda, onde trinquei um dedo. Neste ano, infelizmente nos treinos bati em outra moto e trinquei um osso do pé. Competi com muitas dores e perdi diversos pontos no campeonato. Foram somente duas ocasiões, e sou grato por não ter ocorrido nada mais além disso.
Notisul – Qual a diferença do Guilherme piloto e empresário?
Cascaes – Nos dois casos, sou uma pessoa exigente. Gosto das coisas no seu devido lugar e procuro sempre dar o melhor de mim. Sempre fui competitivo tanto nas corridas quanto na empresa. Tenho que tomar decisões e procuro me doar muito para todos os trabalhos que realizo.
Notisul – Os patrocínios da região ocorrem de forma esperada? Ou não existe essa participação efetiva do poder público local?
Cascaes – Infelizmente na região temos pouco incentivo e visibilidade. Na maioria das vezes os meus patrocinadores são de fora. Como a fabricante de moto a Yamaha, a Rinaldi, que é fabricante de pneus, a SW, que é uma empresa de equipamentos para a moto e tenho diversos apoios. Cerca de 99% deles são de fora. As pessoas têm certa resistência em investir no esporte da região.
Notisul – Essa resistência já foi pior?
Cascaes – Não sei dizer se foi pior ou não. O incentivo já é ruim, acho difícil ser pior que isso. O esporte está em alta em tantos lugares, mas infelizmente aqui esse apoio não ocorre de forma mais efetiva. Quem sabe em um futuro não muito distante, não somente o MotoCross seja valorizado e incentivado, mas os demais esportes da região de Tubarão.
Notisul – A sua última competição foi o Enduro das Neves, ele foi como você esperava?
Cascaes – O resultado do Enduro das Neves ficou um pouco abaixo, porém, mantive a vice-liderança e abri vantagem do terceiro colocado. Agora, estou 21 pontos atrás do líder e ainda há 100 pontos em disputa. Vamos para o tudo ou nada nas quatro etapas finais, mas agora mudei o foco para a prova mais desafiadora do ano, que é o Rali dos Sertões.
Notisul – Essa é a sua primeira participação no Rali dos Sertões?
Cascaes – Não, será a segunda. Aprendi com a minha primeira participação, no ano passado, que é preciso ter cautela, preservar equipamento, que não se pode arriscar além da conta, por que se ultrapassar o limite do desejável, as consequências apresentam-se lá na frente.
Notisul – No TransBahia, em abril, você conquistou o vice-campeonato, como foi a prova e como é alcançar um título?
Cascaes – Aquela prova foi bem nivelada. Decidimos em pequenos detalhes. No primeiro dia alcancei o terceiro lugar, já no sábado fiquei em primeiro. Tive azar no sorteio da ordem de largada e fui obrigado a ‘abrir caminho’ tanto na sexta quanto no domingo. Dessa maneira, atrapalhei-me um pouco, cometi pequenos erros. Mas importante é que segui na busca pelo título.
Notisul – Qual a diferença de correr em casa?
Cascaes – É sempre bom competir em Santa Catarina. É mais tranquilo, porque já conheço o tipo de terreno da prova. De qualquer forma não posso vacilar em nenhuma competição, seja ela em casa ou fora.
Notisul – A rota do TransBahia mudou neste ano. Como foi participar deste terreno desconhecido?
Cascaes – O TransBahia foi em uma região diferente, até então desconhecida pela maioria dos pilotos que estavam na briga pelo título. De ser um local diferente foi e será sempre um tempero a mais nas disputas, que não há um favorito.
Notisul – Você disputou o primeiro Campeonato Brasileiro em 2009, quais as dificuldades?
Cascaes – No início, as dificuldades são muitas, mas a principal delas é de não conhecer os tipos de terrenos das provas. Das nove que disputei, conhecia duas, no Paraná e no Rio Grande do Sul, os nossos estados vizinhos. Uma prova que tive muito trabalho foi em Mato Grosso, pelo forte calor, um terreno seco, com cavas e erosões.
Murilo por Murilo
Deus – Tudo.
Família – Porto seguro.
Trabalho – Faz parte da vida.
Passado – Faz parte da história.
Presente – Curtir o momento.
Futuro – A Deus pertence.
"O sul tem ótimos pilotos devido às copas e
a campeonatos estaduais fortes que temos.
No Paraná, há muito incentivo para os pilotos".
"Há boas provas que ocorrem no estado vizinho. Lá, há diversos pilotos que participam do Campeonato Brasileiro".
