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O turismo pede urgência

Adilson Silvestre é natural de Cascavel, no Paraná, com ramificações familiares em Tubarão. É o atual secretário de turismo da prefeitura de Imbituba. Bacharel em economia pela Faculdade de Administração e Economia do Paraná (FAE), também é administrador de hotelaria, membro do Conselho Estadual de Turismo e presidente da Instância de Governança Encantos do Sul. 

 

Letícia Matos
Tubarão

Notisul – Qual a realidade da região e a expectativa com o desenvolvimento do turismo local?
Adilson –
A expectativa é muito positiva. A região sul está cada vez mais procurada pelos turistas do oeste do estado e do Rio Grande do Sul, principalmente. Recebemos também muitos estrangeiros e isso visa um futuro muito animador para o turismo. Precisamos apenas nos adequar e entender que o turismo é uma ferramenta importante na economia de cada cidade, de cada região. 

Notisul – Quais são as adequações necessárias?
Adilson –
Nós temos principalmente que nos adequar na infraestrutura. Isso é o que mais chama o turista. É claro que cada município tem que descobrir o seu potencial, descobrir a sua ferramenta de turismo. E isso é o quê? É aquilo que vai chamar atenção das pessoas para que possam ir lá fazer uma visita, querer conhecer o local. O turista –  no turismo de experiência que tanto se fala hoje – ele quer conhecer as peculiaridades de cada cidade, de cada região. Quer saber o que você come, de que forma você vive. Enfim, esse é o caminho para cada cidade colocar o seu jeito, o seu aspecto único – o que não se encontra em outro lugar. Então esse é o segredo para que cada cidade possa ter o seu atrativo especial.

Notisul – Com foco na região, que é praticamente litorânea, qual a expectativa para este verão?
Adilson –
É muito boa. Já tivemos um verão maravilhoso no ano passado. Evidentemente que a antecipação do Carnaval atrapalha um pouco a presença dos turistas, mas, com o sol presente e o calor que anunciam, as pessoas virão ao litoral com certeza. A partir do momento que esses turistas vêm ao litoral, é uma oportunidade de conhecer também outros locais que estão inseridos dentro da região. Se levar em consideração que você está em Imbituba, Laguna, Garopaba, veja, está a 100 quilômetros, no máximo, da serra. Quer dizer, neste caminho o turista vai ter a oportunidade de conhecer muita coisa que ele desconhecia por ficar apenas na praia. Então essa é a grande oportunidade que a região tem para desenvolver o turismo. E agora com a duplicação da BR-101, que finaliza o gargalo, nós vamos ter um acréscimo muito grande de turistas na região. Você pode ter toda certeza que isso vai acontecer. 

Notisul – O senhor acredita que essa grande demora da duplicação total da BR-101 prejudicou a nossa região? 
Adilson –
Com o advento da melhoria da BR-101 com toda certeza aquele modal que nós reivindicávamos, que seria o ponto econômico, o ponto que faria a economia de uma forma geral crescer e no turismo principalmente, pode ter toda certeza que com ela pronta nós vamos ter um crescimento muito grande em poucos anos. Nós ficamos atrasados, e muito atrasados, em virtude da BR-101 no momento em que foi feito na parte norte. A região norte do estado cresceu assustadoramente e nós ficamos aquém daquilo que tínhamos condições de fazer. Os estudos realizados pelas universidades aqui no sul apontaram um valor estapafúrdio de riquezas que nós perdemos até então com a BR-101 em construção. Pode ter certeza de que vamos ter um fomento muito grande financeiramente. A região sul, no turismo, vai crescer absurdamente. 

Notisul – Como o Porto de Imbituba pode ajudar no turismo? Há previsão de grandes navios aportarem aqui?
Adilson –
Os navios de cruzeiros são importantíssimos para qualquer local e região e não é diferente para os portos. O Porto de Imbituba, em particular, já recebeu há alguns anos alguns navios onde o turista desembarcava, mas, por falta de estrutura da região, eles iam para a Grande Florianópolis. Hoje aqui no estado os navios aportam em Itajaí e em Bombinhas. Só que a locomoção deles para sair até a BR-101 é péssima. Eles perdem todo tempo parados no congestionamento e isso se tornou um agravante e desestimulou os navios a chegarem aqui. Fomos procurados por essas companhias de navegação para que pudéssemos usar o Porto de Imbituba. Colocamos uma situação que aceitaríamos a vinda dos navios a partir do momento que os turistas ficassem aqui na região. Não concordaríamos que eles fossem para outros lugares e assim eles concordaram no momento em que apresentássemos um mínimo de estrutura. Conversamos isso no ano passado. Naquele momento, não aconteceu porque o porto precisava ter uma adequação onde pudesse receber navios de passageiros, porque até então podia receber somente cargas, não estava adequado para isso. O Porto de Imbituba fez esta adequação e nós temos então um trabalho, uma construção a ser feita de infraestrutura para o navio poder encostar. Estamos nessa pendência, que deve durar um ou dois anos. Neste verão, não vai acontecer! Mas, com certeza temos interesse muito grande em que os navios de passageiros atraquem aqui, porque realmente vai ser um diferencial muito grande.

Notisul – E a economia da região está de acordo com a expectativa?
Adilson
– Economicamente, nós vamos passar pelo menos mais um ou dois anos bastante ruins na composição financeira. Esta área, infelizmente, tem um repasse aos municípios bastante reduzido porque a prioridade é educação, saúde, segurança, e etc. Como o dinheiro já vem carimbado, as sobras do que possa ser arrecadado é que vão para o turismo. Então nós temos que construir uma forma diferente e um dos papéis das Instância de Governança é fazer com que os prefeitos e a comunidade em geral possam entender que o turismo pode fomentar, pode trazer riquezas e assim melhorar a renda de cada município. Então, de uma forma geral este é o caminho que temos que seguir para poder conquistar essa situação.

Notisul – A cidade de Imbituba cresceu. Foi como o esperado ou passaram por dificuldades que vocês não planejaram?
Adilson
– O município de Imbituba teve o crescimento bastante acentuado nos últimos anos, principalmente nos últimos oito, dez anos. Era um município que pouco se destacava na região. Hoje, é o segundo em arrecadação na Amurel. Isso é bastante importante e, é claro, advindo isso com o porto, a conquista de indústrias… Mas a pujança de Imbituba ainda está por acontecer. Nós temos um viés bastante claro, que é o viés do turismo e trabalhamos fortemente para que isso possa se concretizar. Sabemos que é um produto estrela da região sul, mas precisamos trabalhar fortemente para que possa acontecer de uma forma de expansão. Nós temos praias com destaque internacional como a Praia do Rosa, Ibiraquera, Praia da Vila, mas tem que fazer muito ainda para conquistar o estilo do turista que a gente quer que venha para cá. Sintetizando, Imbituba cresce e com certeza vai crescer muito mais. O comércio, a indústria e a área portuária vão crescer e muito. Nós temos uma opção muito grande com o porto nessa nova gestão e sou otimista, vejo que Imbituba realmente dentro de uns dez anos, no máximo, tranquilamente teremos 60, 70 mil habitantes.

Adilson por Adilson
Deus – Ser supremo.
Família – Tudo na vida.
Trabalho – Dedicação.
Passado – Saudades.
Presente – Trabalho.
Futuro – Trabalho.

"É verdade que o repasse do governo federal 
para os municípios está muito aquém da necessidade e isso influencia em todas as áreas".

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