A morte de Chris Stevens, embaixador americano na Líbia, e de outros três diplomatas, ocorrido na noite do último dia 11, na pequena, e até então pacífica, cidade de Benghazi, no norte do país, às margens do mar mediterrâneo, colocaram o mundo, e principalmente os países membros da Liga Árabe, em alerta máximo, aguardando a inevitável reação do governo de Washington, e temendo que esta seja apenas mais uma página sangrenta, na interminável guerra americana contra o terror, iniciada ainda na era Bush, no mesmo dia da morte de Stevens, 11 anos atrás, quando as imponentes torres gêmeas do World Trade Center, que rasgavam o céu no coração de Nova Iorque, sucumbiram ao ódio e a intolerância de Bin Laden e de sua rede terrorista Al Qaeda.
Obama, entre a guerra e a reeleição
A única coisa certa, conforme analistas internacionais, é que a reação do presidente Barack Obama não será apresada, desproporcional e desastrosa, como foram as ações do governo Bush no Afeganistão e no Iraque, no início da década passada, inicialmente em busca de terroristas e depois atrás de armas nucleares que nunca existiram, esfacelando de vez a já impopular imagem americana na região. Não que Obama seja um pacifista ou amante dos direitos humanos, o que não é. O verdadeiro temor democrata é que mais uma ação militar, no atoleiro em que se tornou o Oriente Médio, há apenas dois meses das eleição presidenciais, poderia resultar em um imenso desastre, não apenas para os insurgentes que fuzilaram a embaixada dos Estados Unidos em Benghazi ou para os cidadãos civis líbios que, facilmente, seriam varridos do mapa por mísseis balísticos, lançados por um dos modernos navios Destroyes da Marinha americana que já estão no mar Mediterrâneo; mas para as pretensões de Obama em se manter por mais quatro anos na Casa Branca, pois, mesmo estando à frente do republicano Mitt Romney nas pesquisas, um novo conflito bélico certamente seria mal visto pela população americana, seriamente afetada pelo desemprego e pela crise econômica que parece não ter fim; colocando em risco sua reeleição .
É evidente que alguma providência deve ser tomada frente à barbárie injustificável que ceifou a vida dos quatro cidadãos americanos, mas que esta seja feita com justiça, serenidade e principalmente respeitando a soberania do país africano, sem que mais uma vez o sofrido povo líbio, ainda se recuperando dos mais de quarenta anos de domínio e tirania de Muammar Kadhafi, volte a ser seriamente penalizado, simplesmente por ser inocente.
