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Ode à ignorância

Beatriz de Oliveira Koch
Estudante de Medicina

Senta-se e liga a televisão. Ah, o dom da ignorância! Ver apenas o que lhe é mostrado, sem qualquer necessidade de questionar o que passa frente a seus olhos. Doce bebida de desinformação, de desconhecimento… Felizes os que a consomes, pois são eles que caem, à noite, nos braços de Morfeu e sem culpa alguma! O que os olhos não entendem, a cabeça não pensa e o coração não chora por tudo aquilo que poderia ser, mas não é. Teriam mais sorte aqueles que passam pelo mundo desconhecendo o significado de exploração, abuso… Direitos? Aqueles que estão tão acostumados com as desnormalidades da sociedade que confundem tapa com afago? Para os quais o amanhã é apenas outra palavra que não conseguem decifrar…
São incríveis as coisas com as quais se pode acostumar. Basta a aceitação. Não é a inércia um estado natural? Mudar dá mais trabalho, é incerto…
O que os olhos não pensam, o coração não entende e a cabeça não chora por tudo o que é, mas poderia não ser. Mudar dá medo – é perigoso? Aantes uma dor crônica, mas conhecida, que um medicamento cujo efeito não se sabe. Antes ligar a televisão e não ter qualquer necessidade, vontade, força de questionar a vida.
Ah, o dom da ignorância, doce bebida de inércia!

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