Amanda Menger
Tubarão
Este fim de semana não será esquecido tão cedo pela família do ajudante de eletricista Ricardo Cipriano Diomar, 28 anos. Eles alegam que o morador do bairro Morrotes, em Tubarão, foi agredido por policiais militares que participavam da operação ‘Choque de Ordem’. O caso ocorreu às 23h30min de sexta-feira.
Segundo a família, Ricardo jogava cartas em um bar quando foi chamado por amigos para ajudar a companheira e a enteada, de 17 anos. “Eles foram revistar a menina e a mãe dela pediu para que isso fosse feito por uma policial. Mas os PMs deram uma gravata na minha nora”, conta a mãe de Ricardo, Delise Cipriano Diomar.
Com o aviso, Ricardo chegou mais perto para saber o que estava ocorrendo. “Os policiais o cercaram e levaram para outra rua. Um vizinho gravou a PM batendo em Ricardo. Quando eu fui pedir para chamar uma ambulância, jogaram spray de pimenta no meu rosto e me deram um tapa no peito”, relata Delise.
O outro filho dela, Rodrigo, também teria sido agredido. “Fui socorrer o meu irmão, e um policial deu dois tiros para cima. Identifiquei um dos PM e pedi para pararem. Aí ele verificou que meu irmão estava sem pulso e o jogaram na viatura”, conta Rodrigo.
O ajudante de eletricista foi levado ao Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC) com parada respiratória. Durante o sábado, ele ficou na emergência e, na madrugada de ontem, foi levado para a UTI. “Ele está em coma. Se sobreviver, terá sequelas. Vamos procurar nossos direitos. Trataram meu filho pior do que um cachorro”, diz Delise.
A PM registrou um boletim de ocorrência contra Ricardo por desacato a autoridade. Já a família do ajudante de eletricista, registrou outro boletim, por agressão.
Resposta
O Notisul procurou o comando do 5º Batalhão da Polícia Militar de Tubarão, ontem, mas ninguém quis pronunciar-se sobre o assunto. A expectativa é que hoje o tenente-coronel Sílvio Ricardo Alves manifeste-se sobre o caso.