Início Opinião Os grupos de famílias como lugar da missão (1)

Os grupos de famílias como lugar da missão (1)

 

Os grupos de famílias são tidos como prioridade, ou seja, alvo de atenção especial, de modo a valorizar e viabilizar os meios para que funcionem de modo ativo e efetivo nas comunidades que compõem as paróquias e que, agregadas, formam as dioceses. Afinal de contas, os grupos de famílias fazem parte da rica história de vivência da fé, da oração centrada na Palavra de Deus e na religiosidade popular, da organização das comunidades e da atuação no meio social, proporcionando às pessoas um espaço eclesial e social que lhes permite a socialização, troca de idéias e a oração a partir das esperanças, dificuldades e alegrias do dia a dia.
 
Por estar enraizado no Evangelho e formar a experiência comunitária da fé, a realidade dos grupos de famílias é uma realidade de igreja, toda perpassada pela dimensão missionária. A igreja encontra neles um jeito próprio de ser, organizar e agir, no espírito da comunhão e participação que possibilita viver já aqui o Reino de Deus.
 
Os grupos de famílias se propõem como um “novo modo de ser igreja”, expressando sua natureza, identidade e missão. São grupos de igreja que nasceram dentro da comunidade eclesial, como apelo do Evangelho. Talvez seus membros não tenham consciência explícita das dimensões de sua proposta eclesiológica, mas a vivem existencialmente, numa eclesiologia experiencial implícita e empírica.
 
Os encontros dos grupos de famílias acontecem com periodicidade, variando entre semanais, quinzenais e mensais. Em alguns lugares, os encontros acontecem durante todo o ano; em outros, apenas em alguns períodos litúrgicos, sobretudo no Advento e na Quaresma.
 
Com relação ao número de participantes dos encontros, geralmente limita-se a poucas famílias, na maioria mulheres e crianças. O número reduzido de famílias, por grupo, colabora para o desenvolvimento de relações intersubjetivas mais próximas.
A dinâmica dos encontros diversifica-se conforme a habilidade e criatividade da liderança local, lembrando que a linguagem utilizada é sempre bastante simples, o que facilita também a participação de todos.
 
Podem ser elencados como eixos da dinamização dos encontros a centralidade da palavra e o método: ver e refletir a vida da família, dialogar, rezar e celebrar, planejar ações comuns, avaliar.
 
Os maiores desafios são acerca da transmissão do conteúdo, onde se podem pontuar duas situações: 1) a necessidade da formação de animadores de gtrupos de famílias com uma bagagem teórica e metodológica que capacite para uma atuação eficiente e eficaz nos grupos; 2) o fato de o conteúdo catequético pastoral dos grupos de famílias concorrer com outros conteúdos apresentados em outros espaços eclesiais. Evidentemente que outros desafios aparecem para toda a Igreja, acabando por atingir também os grupos de famílias, como os desafios da igreja universal, diocesana, paroquial, comunitária…
 
Uma boa estratégia de fortalecimento dos grupos de famílias é a valorização por meio da participação de encontros em nível paroquial, diocesano, comarcal, regional, nacional. E um grande facilitador disso são os encontros das CEB’s e grupos de família que possuem traços de eclesialidade em comum.
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