Maycon Vianna
Laguna
Quem estava na balsa que liga o bairro Magalhães à Ponta da Barra, em Laguna, ainda não esqueceu o momento em que a água turva do mar o do Rio Tubarão invadiu a parte da frente da embarcação, neste sábado. O exato instante do incidente foi flagrado por parte dos passageiros, que registrou com fotos e vídeos.
O assunto ganhou repercussão regional. Ontem, o delegado da Capitania dos Portos, capitão-de-corveta Francisco de Assis Dias, confirmou que um inquérito será instaurado para apurar as causas. “Serão 90 dias de investigação. Neste período, os peritos da Marinha analisarão as imagens e o que ocorreu com a embarcação. Terminado a análise, o relatório será encaminhado ao Tribunal Marítimo no Rio de Janeiro”, informa Francisco.
Ele adianta que algo de anormal pode ter ocorrido, mas evita afirmar antes do laudo oficial. “Se for realmente comprovado alguma irregularidade, o que ainda é cedo para determinar, pode haver sanções contra os administradores da balsa e até mesmo a retirada do tráfego. Porém, repito, não podemos nos precipitar”, conclui.
Ainda de acordo com o delegado da Capitania dos Portos, os técnicos vão avaliar as condições do mar e do clima na hora do incidente.
O radialista Geraldo Salvador, da Rádio Tubá, de Tubarão, estava na balsa no momento em que a água invadiu. “O pessoal ficou assustado. Começamos a perceber que a água vinha de frente. Estava com os meus filhos e tratei de procurar o local onde estavam os coletes salva-vidas para se caso o pior acontecesse. Quatro caminhões estavam carregados de pedras”, relata.
Advogado garante que embarcação é segura
Adilson Cadorin, advogado da empresa Laguna Navegação, que administra a balsa do canal da barra, em Laguna, garante que a embarcação é segura e que o peso no momento em que a água tomou parte do convés era de 80 toneladas. “A balsa tem capacidade legal para 200 toneladas e neste sábado, naquele instante, o peso era de aproximadamente 80 toneladas. Então, estávamos operando dentro das normas”, defende Adilson.
Ele ainda ressalta que o fato de água ter entrado na embarcação pode ter sido ocasionada pela agitação do mar. “Quando atravessa outro barco, por exemplo, faz uma marola e isso é normal. Muitas vezes, os passageiros são indisciplinados e ficam no convés (parte frontal), o que não é permitido”, orienta.
De acordo com Adilson, a balsa (alvo da polêmica deste fim de semana) é uma embarcação nova e passa por constantes vistorias dos fiscais da Marinha. “É o que há de mais moderno no sul do Brasil. Não há motivo para pânico”, finaliza.