Silvana Lucas
Tubarão
Sem data para terminar, a paralisação bancária, agora, preocupa os comerciantes. Há menos de três meses para o fim do ano, época muito aguardada para o aumento das vendas no país, o dinheiro parece ainda estar retido nos cofres das agências, pelo menos é o que pensa boa parte dos empresários da região.
Para a gerente de uma loja de calçados em Tubarão, Márcia Teixeira Matias, o movimento nesses dias de paralisação caiu bastante. “Simplesmente despencou. Temos mercadoria de verão já disponível. No início de cada mês estávamos acostumados com maior procura atrás das novidades, mas, com esta greve, nossos clientes sumiram”, reclama Márcia.
O reflexo da greve também é sentido por outros seguimentos, como a prestação de serviços. Para João Tadeu da Silva, taxista há 20 anos, com a paralisação do setor financeiro, os serviços de transporte de passageiros diminuem em pontos centrais. “Trabalhamos com clientes que, em época de pagamento, preferem voltar para casa de táxi. Com a greve eles não aparecem”, analisa o taxista da Praça Sete de Setembro, em Tubarão.
Nas vendas de automóveis, o movimento bancário também reflete no setor. Segundo o gerente de vendas de uma concessionária, Rogério Lenz, a paralisação não diminuiu as vendas, mas prejudicou as transações. “Por enquanto, não houve queda. Há dificuldades para fechar os negócios, já que nas vendas de carros os valores são altos. Quando o cliente compra precisa sacar uma grande quantia no caixa pessoal, pois é impossibilitado de realizar a operação nos caixas eletrônicos, os quais dispõem, muitas vezes, cerca de R$ 1 mil por dia de limite”, resume Rogério.
Para a presidente do Sindicato dos Comerciários de Tubarão e Região, Lizandra Rodrigues Anselmo, as vendas ainda não foram prejudicadas, de fato. “Somente se não houver dinheiro nos postos de autoatendimento, esse quadro vai realmente ficar comprometido. Não temos informações ainda sobre se houve ou não queda de movimento no comércio. O que podemos perceber é que, frente às greves bancárias em outros anos, nesta, os caixas eletrônicos são devidamente abastecidos, então grande parte da população consegue resolver os seus trâmites financeiros”, conclui Elizandra dizendo que apoia a causa dos os bancários.
Nenhuma mudança à vista
Segundo o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Bancários de Tubarão e Região (SEEBTR), Armando Machado Filho, até o momento não há nenhuma nova informação sobre as negociações. “Não estamos parados, buscamos incessantemente esta negociação. Aguardamos informações a qualquer hora. Dentro do sindicato temos uma comissão que fica de plantão 24 horas”, informa Armando.
Das 45 agências de abrangência do SEEBTR, todas estão com as portas fechadas. Na região de Laguna, somente o Itaú de Imbituba funciona.
No Brasil, hoje, a greve dos bancários completa 17 dias. São 12 dias de paralisação na maior parte das agências da Amurel.
Entre as reivindicações da categoria estão quase 100 cláusulas sociais e trabalhistas.
