A Coluna inicia uma série de entrevistas com os candidatos aos cargos de Senador da República por Santa Catarina.
Esta semana, a conversa foi com os candidatos da coligação “Santa Catarina acima de tudo”, encabeçada pelo ex-prefeito de Chapecó, João Rodrigues. Confira:
Antídío Lunelli
Pelo Estado – Qual seria a primeira medida que o senhor defenderia no Senado para beneficiar diretamente Santa Catarina?
Antídio Lunelli – Minha primeira atitude será usar a força política de um senador para fazer os investimentos de Santa Catarina saírem do papel. Temos obras, projetos e demandas importantes que muitas vezes ficam anos esperando uma decisão em Brasília. Senador precisa ter capacidade de articulação, cobrar ministérios, buscar recursos, saber conversar com o governo — seja ele qual for — e defender os interesses do Estado, com ética e coragem.
A política hoje tem muita rede social, muito discurso e, muitas vezes, pouco resultado na vida das pessoas. Eu quero fazer diferente. Quero ajudar a destravar investimentos em infraestrutura, saúde, segurança e desenvolvimento e cobrar prazo e resultado.
Ao mesmo tempo, vou trabalhar por uma mudança estrutural no pacto federativo, para que mais recursos permaneçam nos estados e municípios. Santa Catarina não pode continuar arrecadando tanto, mandando o dinheiro para Brasília e depois tendo que pedir de volta aquilo que ajudou a produzir.
Pelo Estado – Quais são as três pautas nacionais que o senhor considera mais importantes para os próximos quatro anos?
Antídio Lunelli – A primeira é uma reforma do Estado brasileiro, começando pelo Judiciário. Precisamos restabelecer o equilíbrio entre os Poderes e deixar claro que cada um deve cumprir o papel definido pela Constituição. Defendo mudanças nas regras do STF, como idade mínima de 60 anos para a nomeação de ministros, restrições à atuação de familiares de ministros em escritórios de advocacia que possam gerar conflito de interesses e limites às decisões monocráticas em temas de grande repercussão. O Brasil precisa de instituições fortes, mas também de regras, equilíbrio e transparência.
A segunda é combater privilégios, desperdícios, corrupção e o crescimento do crime organizado. O cidadão não aguenta mais pagar uma carga enorme de impostos enquanto vê dinheiro público sendo desperdiçado. Precisamos de uma reforma administrativa séria, penas mais duras para quem rouba dinheiro público e leis capazes de enfrentar as facções criminosas.
E a terceira é proteger quem trabalha, produz e gera emprego. Precisamos dar condições para a agricultura, a indústria, o comércio e os pequenos empreendedores competirem. Isso significa menos burocracia, segurança jurídica, infraestrutura e uma política econômica que estimule quem produz, em vez de criar dificuldades para quem sustenta o país.
Pelo Estado – O senhor vem da iniciativa privada e da experiência como empresário e ex-prefeito. O que o senhor pretende levar dessa experiência para o Senado que, na sua avaliação, hoje falta na política brasileira?
Antídio Lunelli – Quero levar para Brasília a cultura do resultado. Passei minha vida na iniciativa privada e também tive a oportunidade de administrar Jaraguá do Sul, a cidade mais segura do Brasil. Nos dois lugares aprendi que não adianta fazer discurso: é preciso planejar, estabelecer prioridades, cuidar do dinheiro e entregar.
Na empresa, se você administrar mal, ela fecha. Na prefeitura, cada real mal gasto é dinheiro que deixa de ir para a saúde, para a educação, para a segurança ou para uma obra que a população precisa.
Na política, às vezes parece que basta anunciar, postar e fazer discurso. Eu penso diferente. Política precisa melhorar a vida das pessoas e o resultado precisa aparecer.
É essa experiência que quero levar ao Senado: gestão, cobrança, responsabilidade com o dinheiro público e coragem para tomar decisões. Não quero ir a Brasília para ocupar uma cadeira. Quero ir para trabalhar, defender Santa Catarina e entregar resultado.
Esperidião Amin
Pelo Estado – O senhor tem cobrado diretamente a ANTT e Ministério dos Transportes sobre o problema do Morro dos Cavalos. Em quanto tempo acredita que a população terá uma resposta concreta para resolver este trecho e qual seria esta resposta?
Esperidião Amin – Nós estamos cobrando a partir desta semana que nos deem um cronograma, portanto eu não tenho ainda um cronograma. Sei que o prazo limite pra apresentação do projeto e início da obra, ou pelo menos a ordem de serviço para obra é de 180 dias, é isso que está escrito no que foi acordado lá na ANTT. Agora, não sou eu que estou afirmando. Quero as datas mais próximas. Por exemplo, término das sondagens para atualizar o projeto, apresentação do projeto na ANTT, aprovação e emissão da ordem serviço. Eu ainda não tenho essas datas, tenho apenas o limite delas, mas nem posso garantir que esse limite seja cumprido se eu não tiver as datas intermediárias, exatamente por isso que eu quero um cronograma, a partir do cronograma eu cobro as datas intermediárias e vejo se vai ser em 180 dias, em menos, como eu gostaria, ou desgraçadamente em mais.
Pelo Estado – Santa Catarina é um dos estados que mais arrecada e reclama de receber pouco de volta da União. O senhor defende mudar o pacto federativo? Como?
Esperidião Amin – Eu defendo, em primeiro lugar, que o governo de Santa Catarina dialogue, debata, converse. Oposição política é uma coisa, responsabilidade, ética da responsabilidade, é outra coisa. É obrigação do Esperidião Amin como senador conversar com quem é de qualquer partido pra conseguir aprovar uma lei. Foi assim que nós conseguimos de volta aquele dinheiro que o então governador Moisés utilizou pra pagar faturas e medidas contra o governo federal em obras como a BR-280, 470, 285 e 163, dialogando, não foi mudando o meu voto ou mostrando que eu tenho razão. Agora, se a política que é a arte de dialogar, de discutir, principalmente com quem pensa diferente não for exercitada, nós vamos ficar apenas lacrando, como se diz, xingando, sem resposta. Eu sou pela política de resultado, e o resultado se obtém mesmo junto a quem pensa diferente de nós, argumentando, apresentando propósito, dialogando, concordando e discordando. Sem negociação nós vamos ser uns grandes reclamadores no deserto.
Pelo Estado – Santa Catarina tem uma das maiores economias industriais do país. Como o Senado pode ajudar a indústria catarinense a competir com produtos importados?
Esperidião Amin – Santa Catarina tem uma das maiores economias industriais do país. Como o Senado pode ajudar a indústria catarinense a competir com produtos importados?
A única vez que eu votei a favor da criação de uma taxa, de um imposto foi no caso da taxa da blusinha, porque a competição é desfavorável. Eu não preciso dizer que o per capita nós somos os maiores produtores, os maiores integrantes do plantel da indústria têxtil do Brasil. Então, proporcionalmente quem mais precisa disso é Santa Catarina. Por isso, que eu não posso negar, buscar o equilíbrio da competitividade onerando produtos importados. Raramente teremos que fazer isso, mas nesse caso eu fiz e farei de novo.
