Conta a história que Helena, esposa de Menelau, rei de Esparta, foi raptada por Páris, filho de um rei troiano, resultando em uma guerra de dez anos, conhecida como “A Guerra de Troia”. Para resgatar Helena, foi arquitetado por Ulisses, rei da ilha de Itaca, um plano engenhoso – a construção de um imenso cavalo de madeira que abrigasse em seu interior alguns soldados gregos de modo camuflado. Construído, foi levado até os portões de Troia, onde foi deixado pelos gregos.
Os troianos pensaram ser um presente de rendição e o colocaram para dentro da cidade. Durante a noite, os soldados gregos saem de dentro do cavalo e abrem os portões de Tróia permitindo ao exército grego invadir e incendiar a cidade, resgatando a princesa Helena. O artefato de madeira utilizado ficou conhecido como “O Cavalo de Troia” – surgindo, assim, o ditado “presente de grego” como sendo algo extremamente indesejado.
O governador do estado, ao anunciar a instalação de uma penitenciária em Imaruí, disse que a escolheu porque a região está “deprimida” economicamente após a construção da BR-101. “A população não tem alternativa e oportunidade de renda. A penitenciária vai levar desenvolvimento para a região” (Jornal DC de 21/12/11-pag. 40). É consabido que a instalação de um complexo penitenciário traz inquietação à população em virtude da expectativa de impacto negativo no meio social pela presença de marginais de toda a espécie, que, mesmo estando segregados, podem fugir a qualquer momento ou comandar mesmo de dentro da penitenciária, o crime organizado que conta com a participação de elementos próximos e semelhantes a eles.
Esses comparsas mantêm relações estreitas com os bandidos que estão presos e, muitas vezes passam a residir nas proximidades, na cidade ou nas cidades vizinhas para facilitar a comunicação e a execução de planos criminosos.
Imaruí é uma cidade com criminalidade praticamente “zero”. Nos últimos dez anos, ocorreram apenas dois homicídios e, os roubos ou furtos são raros e, quando ocorrem, são facilmente desvendados e os culpados punidos. Essa “conta” não é de Imaruí, então por que tem que pagá-la?
O povo imaruiense repudia a ideia da instalação da unidade prisional na cidade – o que é compartilhado pelos municípios vizinhos. O governo estadual planeja iniciar a obra, com o apoio do prefeito, consciente de que a população é contra o empreendimento na cidade. Somente apóiam a ideia do prefeito, parte daqueles que estão ligados diretamente ao poder público, seja pelo emprego temporário ou contratos firmados para fornecimento direto ou indireto de algum produto ou serviço – o que significa dizer que são aqueles que estão de alguma forma alienados ao poder local. Esses defendem a ideia, mas não a sustentam com argumentos plausíveis.
Resumindo, podemos dizer que se trata de um verdadeiro “Cavalo de Troia” ou, de um “presente de grego”, que o governo do estado entrega ao povo de Imaruí e das cidades vizinhas, sem ao menos consultá-los, impondo de forma antidemocrática, ditatorial e injusta, a aceitação de algo extremamente indesejado por quase a totalidade da população. Fazendo aqui uma relação com a história, tem-se que o “cavalo de troia” foi colocado às portas do município de Imaruí, o povo não pode levá-lo para dentro, sob pena de permitir a depreciação da cidade em todos os sentidos.
