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Plano Real completa 32 anos e permanece como um divisor de águas da economia brasileira

FOTOS Memorial da Democracia Reprodução Notisul

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Nesta quarta-feira (1º), o Plano Real completa 32 anos. Implantado em 1º de julho de 1994, o programa econômico é considerado um dos momentos mais importantes da história recente do Brasil por conseguir controlar a hiperinflação que castigava o país e devolver estabilidade à economia.

Embora o planejamento tenha começado em 1993, durante o governo de Itamar Franco, foi em julho de 1994 que o Real passou a circular oficialmente como moeda nacional, substituindo o Cruzeiro Real.32 anos do Plano Real

O desafio era vencer a hiperinflação

Antes do Plano Real, a inflação chegava perto de 50% ao mês. Os preços mudavam diariamente, supermercados remarcavam produtos diversas vezes ao longo do dia e o salário perdia valor rapidamente.

Na prática, os brasileiros precisavam gastar praticamente todo o salário assim que o recebiam, já que poucos dias depois o dinheiro comprava muito menos.

Diversos planos econômicos haviam fracassado anteriormente, entre eles o Plano Cruzado, o Plano Bresser, o Plano Verão e o Plano Collor.

As três etapas do Plano Real

O sucesso do programa foi resultado de uma estratégia dividida em três fases.

A primeira foi o ajuste das contas públicas, com medidas para reduzir o déficit do governo.

Na sequência veio a criação da Unidade Real de Valor (URV), uma moeda de referência utilizada para estabilizar os preços sem congelamentos.

Por fim, em 1º de julho de 1994, a URV foi transformada oficialmente no Real (R$). Na conversão, 1 Real passou a valer 2.750 Cruzeiros Reais.

A inflação caiu rapidamente nos meses seguintes, devolvendo previsibilidade à economia e aumentando o poder de compra da população.

O Real perdeu valor ao longo dos anos, mas manteve a estabilidade

Mais de três décadas depois, a inflação acumulada ultrapassa 700%, reduzindo significativamente o poder de compra da moeda.

Na prática, um produto que custava R$ 100 em julho de 1994 exige hoje cerca de R$ 834 para ser adquirido. Isso significa que uma nota de R$ 100 guardada desde o lançamento do Plano Real teria atualmente um poder de compra equivalente a aproximadamente R$ 12.

Apesar dessa perda, economistas destacam que a inflação ocorreu de forma gradual ao longo de 32 anos, cenário muito diferente da hiperinflação do início da década de 1990, quando a mesma corrosão do poder de compra acontecia em poucos meses.

O que mudou no bolso do brasileiro

A inflação elevou o preço dos alimentos, combustíveis e veículos ao longo das últimas décadas.

Em julho de 1994, por exemplo:
  • o quilo do frango custava cerca de R$ 1;
  • o feijão era vendido por aproximadamente R$ 1,11 o quilo;
  • um litro de óleo de soja custava menos de R$ 1;
  • os carros populares eram comercializados por cerca de R$ 7 mil.

Hoje, os valores são muito superiores em termos nominais. No entanto, o aumento real do salário mínimo ao longo dos anos fez com que o trabalhador recuperasse parte do poder de compra, principalmente em relação aos alimentos básicos.

Outro exemplo é o combustível. Apesar da gasolina custar várias vezes mais do que em 1994, o salário mínimo atual permite adquirir uma quantidade significativamente maior de litros do que no lançamento do Plano Real.

Um marco da economia brasileira

Passados 32 anos, o Plano Real continua sendo considerado um dos programas econômicos mais importantes da história do país por ter encerrado o período de hiperinflação e criado uma moeda que permanece em circulação até hoje.

A estabilidade monetária conquistada em 1994 transformou a rotina dos brasileiros, permitiu maior previsibilidade para famílias e empresas e se tornou um dos principais marcos da economia nacional nas últimas décadas.

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