FOTOS Memorial da Democracia Reprodução Notisul
Tempo de leitura: 6 minutos
Nesta quarta-feira (1º), o Plano Real completa 32 anos. Implantado em 1º de julho de 1994, o programa econômico é considerado um dos momentos mais importantes da história recente do Brasil por conseguir controlar a hiperinflação que castigava o país e devolver estabilidade à economia.
Embora o planejamento tenha começado em 1993, durante o governo de Itamar Franco, foi em julho de 1994 que o Real passou a circular oficialmente como moeda nacional, substituindo o Cruzeiro Real.
O desafio era vencer a hiperinflação
Antes do Plano Real, a inflação chegava perto de 50% ao mês. Os preços mudavam diariamente, supermercados remarcavam produtos diversas vezes ao longo do dia e o salário perdia valor rapidamente.
Na prática, os brasileiros precisavam gastar praticamente todo o salário assim que o recebiam, já que poucos dias depois o dinheiro comprava muito menos.
Diversos planos econômicos haviam fracassado anteriormente, entre eles o Plano Cruzado, o Plano Bresser, o Plano Verão e o Plano Collor.
As três etapas do Plano Real
O sucesso do programa foi resultado de uma estratégia dividida em três fases.
A primeira foi o ajuste das contas públicas, com medidas para reduzir o déficit do governo.
Na sequência veio a criação da Unidade Real de Valor (URV), uma moeda de referência utilizada para estabilizar os preços sem congelamentos.
Por fim, em 1º de julho de 1994, a URV foi transformada oficialmente no Real (R$). Na conversão, 1 Real passou a valer 2.750 Cruzeiros Reais.
A inflação caiu rapidamente nos meses seguintes, devolvendo previsibilidade à economia e aumentando o poder de compra da população.
O Real perdeu valor ao longo dos anos, mas manteve a estabilidade
Mais de três décadas depois, a inflação acumulada ultrapassa 700%, reduzindo significativamente o poder de compra da moeda.
Na prática, um produto que custava R$ 100 em julho de 1994 exige hoje cerca de R$ 834 para ser adquirido. Isso significa que uma nota de R$ 100 guardada desde o lançamento do Plano Real teria atualmente um poder de compra equivalente a aproximadamente R$ 12.
Apesar dessa perda, economistas destacam que a inflação ocorreu de forma gradual ao longo de 32 anos, cenário muito diferente da hiperinflação do início da década de 1990, quando a mesma corrosão do poder de compra acontecia em poucos meses.
O que mudou no bolso do brasileiro
A inflação elevou o preço dos alimentos, combustíveis e veículos ao longo das últimas décadas.
Em julho de 1994, por exemplo:
- o quilo do frango custava cerca de R$ 1;
- o feijão era vendido por aproximadamente R$ 1,11 o quilo;
- um litro de óleo de soja custava menos de R$ 1;
- os carros populares eram comercializados por cerca de R$ 7 mil.
Hoje, os valores são muito superiores em termos nominais. No entanto, o aumento real do salário mínimo ao longo dos anos fez com que o trabalhador recuperasse parte do poder de compra, principalmente em relação aos alimentos básicos.
Outro exemplo é o combustível. Apesar da gasolina custar várias vezes mais do que em 1994, o salário mínimo atual permite adquirir uma quantidade significativamente maior de litros do que no lançamento do Plano Real.
Um marco da economia brasileira
Passados 32 anos, o Plano Real continua sendo considerado um dos programas econômicos mais importantes da história do país por ter encerrado o período de hiperinflação e criado uma moeda que permanece em circulação até hoje.
A estabilidade monetária conquistada em 1994 transformou a rotina dos brasileiros, permitiu maior previsibilidade para famílias e empresas e se tornou um dos principais marcos da economia nacional nas últimas décadas.