Início Opinião Policial educador (1)

Policial educador (1)

“Se as guerras nascem na mente dos homens, é na mente dos homens que devem ser erguidas as defesas da paz”. Unesco.

Como triste fatalidade, a sociedade vai se acostumando com rotinas abomináveis. O submundo do tráfico, crime, corrupção, desemprego e da vadiagem assistida se incorporou na estrutura do cotidiano como aleijões insuportáveis.
Já não se consegue mais afirmar deste ou de outro lugar que ali se vive em paz. Ao contrário, chegando ouve-se a confissão de que se está na capital da droga.
Atrás de fatos e histórias de horror tingidas com a sujeira da marginalidade, estão personagens que deveriam apoiar a construção da paz e harmonia entre as pessoas. Policiais, investigadores, magistrados, políticos de todos os naipes envolvem-se com a criminalidade. Eles que deveriam ser os nossos solícitos empregados como afirmava o TSE no tempo da campanha eleitoral.

O cidadão, longe de ser patrão de ninguém, assiste horrorizado a tudo, cada vez mais cético de que seja possível mudar o quadro de caos crescente.
Mas, nem tudo está perdido. Há mais justos do que se possa imaginar construindo futuro melhor para todos. Tive a comprovação dessa certeza dias atrás ao participar de formatura que me inebriou de esperança. Duzentas e dezenove crianças da quarta série recebiam o singular diploma do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd). Em Gravatal, noite chuvosa e fria de 15 de julho, 600 pessoas prestigiaram o fato. A festa era das crianças, mas os personagens em destaque eram os policiais, maximamente, prestigiado o policial formador, o soldado André Perini Popoaski. A formatura, em si, foi bela amostra de como opera a filosofia do programa. O policial formador esteve o tempo todo animando as crianças, cantando, repetindo rituais da pedagogia do combate às drogas e à violência.

Ao final, conversei com André, o policial educador, e obtive dele a certeza de que ele acredita no que faz, e faz com alegria. Conversei também com seus pais e eles me confirmaram que seu filho policial, depois que ingressou no programa, tornou-se mais alegre, comunicativo, dialogante com as pessoas.
André me deu outra certeza básica: na medida em que policial torna-se educador, podemos ter esperança. Continuarão operando as forças dos males sociais, mas aumentarão as sinergias de vitalização das relações humanizadoras.

Policial educador! Inconcebível aos belicistas radicais que imaginam que tudo pode ser resolvido com guerra. Que fique claro que não será fazendo cócegas aos traficantes, bandidos e corruptos que a sociedade vencerá a marginalidade. Pessoalmente, tenho defendido, neste espaço jornalístico, a ideia de combinar o rigor do regime chinês com a compaixão cristã. Não basta apenar o delinquente, é necessário regenerá-lo. Antes de tudo, educar as crianças, incutindo-lhes a consciência da paz e o amor pela vida compartilhada. (Continua na edição de amanhã).

Sair da versão mobile