
Letícia Matos
Tubarão
A atenção com a dengue deve ser mantida mesmo com queda na temperatura. O declínio na infestação de mosquito ocorre a partir deste mês, mas o período ainda é considerado de alta transmissão. Em Tubarão, foi confirmado ontem o primeiro caso autóctone da doença, ou seja, transmitida no próprio município. Na última semana, um quinto foco do mosquito Aedes Aegypt foi registrado.
O primeiro caso de dengue em Tubarão foi detectado semana passada e aguardava a confirmação de exames. Conforme o procedimento LPI (Local provável da infecção), realizado por meio da 20ª Regional de Saúde, que faz um mapeamento dos locais prováveis onde o indivíduo tenha passado nos últimos 14 dias da infecção, o paciente não havia saído do município, o que resulta em um caso autóctone.
Para evitar a proliferação do mosquito e, em consequência disso evitar a doença, é necessário ficar atento aos locais com acúmulo de água. Mais de 10 larvas foram coletadas em uma armadilha instalada no bairro São Cristóvão, às margens da BR-101. Os integrantes da equipe de Combate às Endemias realizaram a varredura no raio de 300 metros do local onde as larvas foram localizadas e nenhum outro foco foi localizado.
É necessário destacar que este não é um caso de surto no município e sim uma situação isolada, mas que merece atenção. “As pessoas devem ter a consciência que nós temos condições de evitar este problema, começando pelos locais onde vivemos”, disse a diretora-presidente da Fundação Municipal de Saúde, Tanara Cidade de Souza.
Para reforçar os trabalhos do Programa de Combate às Endemias, os agentes já atuam em período integral com o objetivo de vistoriar os pontos estratégicos e armadilhas com mais frequência e atender a demanda de dúvidas e denúncias.
Sobre a dengue
A dengue é uma doença febril aguda causada por um vírus e um dos principais problemas de saúde pública no mundo. O seu principal vetor de transmissão é o mosquito Aedes aegypti, que se desenvolve em áreas tropicais e subtropicais. Embora pareça pouco agressiva, a doença pode evoluir para a dengue hemorrágica e a síndrome do choque da dengue, caracterizadas por sangramento e queda de pressão arterial, o que pode levar à morte. A melhor maneira de combater esse mal é atuando de forma preventiva, impedindo a reprodução do mosquito.
Focos na região neste ano
• 9 de abril – Braço do Norte confirma cinco larvas em uma armadilha no bairro Nossa Senhora de Fátima.
• 1º de março – Imbituba registra um foco na Lagoa do Quintino, no bairro Alto Arroio.
• 22 de fevereiro – Braço do Norte registra o primeiro foco nos bairros Trevo, Coloninha e Centro.
• 23 de janeiro – Tubarão registra o primeiro foco no bairro Vila Esperança.
Caso da doença
O primeiro caso de dengue registrado na região foi há três meses em Braço do Norte. Uma adolescente de 15 anos adquiriu a doença em São Paulo quando viajava de férias com a família. Lá, ao manifestar os sintomas, foi diagnosticada com dengue e, ao chegar em Braço do Norte, fez o exame que confirmou a doença.
Sintomas
– Fortes dores de cabeça;
– Febre súbita e alta (acima de 40%);
– Dor atrás dos olhos;
– Falta de apetite e paladar;
– Dor nos ossos e nas articulações;
– Manchas vermelhas na pele;
– Náuseas e vômito;
– Moleza e cansaço.
Dengue em Santa Catarina
O número de casos confirmados de dengue em Santa Catarina chegou a 1.634 até este mês, de acordo com o último boletim da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive). Desse total, 1.475 – o que representa 90,3% – foram contraídos dentro do próprio estado. Dos casos contraídos no estado, 1.450 tiveram como local de transmissão o município de Itajaí.
Prevenção
O Aedes aegypti coloca seus ovos em água limpa, mas não necessariamente potável. Por isso, é importante jogar fora pneus velhos e deixar garrafas com a boca para baixo. Todo o acúmulo de água é uma ameaça.
• Mantenha a caixa d’água bem fechada e coloque uma tela no ladrão;
• Lave toda a semana com escova e sabão os tanques que armazenam água;
• Remova tudo que possa impedir a água de correr pelas calhas;
• Encha de areia até a borda os pratinhos dos vasos de planta;
• Coloque o lixo em saco plástico e mantenha a lixeira bem fechada;
• Evite a formação de poças de água da chuva.