
Silvana Lucas
Tubarão
Em uma sessão realizada ontem no Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), em Florianópolis, os desembargadores decidiram que Hellen de Souza Cunha não praticou crime de tortura. Em 2012, ela lecionava no Centro de Educação Infantil Recife, em Tubarão, onde foi acusada e condenada por agredir um menino de apenas 1 ano e 5 meses.
“Eles consideraram os atos cometidos pela professora como maus-tratos e não tortura. Em nenhum momento do processo houve indícios de tortura, ela errou ao abusar dos meios de correção de disciplina. Motivos pelo qual ganhou novamente a liberdade”, informa o advogado da docente, Edilson Garcia.
O defensor também relatou que a professora ficou presa em regime fechado por dois meses, após o cumprimento de um mandado de prisão expedido no dia 1º de outubro de 2012. E em março deste ano, ela foi condenada por determinação do juiz de direito da 1ª Vara Criminal da Comarca de Tubarão, Elleston Lissandro Canali, quando permaneceu detida no presídio do município por 30 dias e há mais de cinco meses cumpria prisão domiciliar.
“Diante da constatação de que não houve tortura, ela foi absolvida e teve a pena de dois meses e 20 dias, em regime inicial aberto, que já prescreveu. Hellen recebeu imediatamente o alvará de soltura, está livre e pode voltar a lecionar”, ressalta Edilson. A professora tem 33 anos, é formada em história, pós-graduada em metodologia de ensino e lecionou por mais de dez anos nos municípios de Tubarão e Capivari de Baixo.
“Posso andar de cabeça erguida”, afirma Hellen
Após receber a notícia ontem de sua absolvição, a professora afirmou se sentir muito aliviada por limpar sua imagem e por enquanto não pensa em voltar às salas de aula. “Agora é uma nova fase. Posso andar de cabeça erguida porque sou livre. Não vou mais pagar por um crime que não cometi. Ainda estou muito abalada e primeiro vou cuidar da minha filha, para depois pensar em voltar a minha profissão”, comemora Hellen.
Denúncias
As primeiras denúncias foram feitas dez dias antes da detenção da professora, por alguns pais, à Delegacia da Criança, do Adolescente e de Proteção à Mulher e ao Conselho Tutelar. Por meio de imagens gravadas em uma câmera escondida, ficaram comprovadas as agressões aos pequenos. A professora era responsável por 11 crianças, todas com idades entre 1 e 5 anos. No vídeo, ela agredia um bebê de 1 ano e 5 meses com tapas, soco na cabeça e fortes sacudidas. A criança chorava desesperadamente.
Reveja o vídeo divulgado pela polícia na época.