Mirna Graciela
Tubarão
A proposta de reajuste para a Polícia Civil divulgada ontem não foi aceita pelo Sindicato dos Policiais Civis de Santa Catarina (Sinpol-SC). Com isto, foi decretado oficialmente o início da greve por tempo indeterminado.
A remuneração média mínima passaria de R$ 2.983,00 para R$ 4.520,00. Isto significa um aumento de 51,5%. Conforme o governo do estado, os aumentos seriam concedidos gradualmente em agosto do próximo ano e agosto e dezembro de 2015.
Desde o último dia 11, após a realização de várias assembleias regionais, os profissionais da região sul acataram as orientações do Sinpol. Faixas de protesto foram afixadas em frente às delegacias e os profissionais trabalham com as camisetas do movimento. A principal reivindicação dos policiais é o reajusta, que não ocorre há 13 anos.
Conforme o agente Mauro Fabrício dos Santos, da Central de Plantão Policial (CPP) de Tubarão, além do reajuste, o governo também não repassou a data base deste ano e tampouco cumpriu a lei 254, de 2003, que estabelece uma proporcionalidade remuneratória salarial entre delegados e demais funções.
A implementação do quadro de funcionários também é pleiteada, assim como as melhorias nas condições de trabalho, com a compra de equipamentos. Outra luta da categoria é o reconhecimento do governo do estado – a lei existe – da carreira jurídica. A Polícia Civil possui função de polícia judiciária, mas segundo os grevistas, a remuneração não condiz com esta realidade.
Alguns serviços não são prestados, somente casos de urgência
A adesão dos policiais civis à greve geral da categoria, em Tubarão, é de quase 100%. Somente os casos mais graves da população são atendidos. No entanto, os agentes estão nas delegacias para orientar o público.
Como ocorre na Central de Plantão Policial (CPP), no centro do município. Quem precisar registrar um boletim de ocorrência por perda de documentos, por exemplo, não consegue fazê-lo.
Mas, recebe uma orientação dos profissionais para realizar o procedimento pela internet. Nas CPPs da região, os casos de urgência, como homicídio, roubo, latrocínio, entre outros desta dimensão, são atendidos.
Já na 5ª Delegacia Regional de Polícia (Ciretran), na avenida Expedicionário José Pedro Coelho, nenhum tipo de serviço é realizado, como a emissão documentos de identidade, de trânsito, vistorias e emplacamentos veiculares.
“A greve é dos agentes, escrivães e psicólogos, mas estamos mobilizados porque a solução é para a Polícia Civil como um todo”, declara o delegado regional Renato Poeta. Segundo ele, se até a próxima semana não ocorrer uma solução, os delegados também poderão paralisar.
A Delegacia da Criança, do Adolescente, e de Proteção à Mulher e ao Idoso de Tubarão segue os mesmos passos da CPP, com atendimentos em situações mais agravantes. A Divisão de Investigação Criminal (DIC) da Cidade Azul permanece com suas atividades.
“Não há como ser diferente. Tratamos de crimes contra a vida e situações flagranciais, sempre haverá um profissional de prontidão para estes casos”, garante o delegado Rubem Antônio Teston da Silva.
