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Quando começa a valer o fim da escala 6×1? PEC ainda precisa passar pelo Senado

Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta quarta-feira (27) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua seis dias e descansa apenas um. O texto estabelece uma transição gradual para a nova jornada, mas ainda precisa ser aprovado pelo Senado antes de entrar em vigor.

Pela proposta, as mudanças começarão a valer 60 dias após a promulgação da PEC. No entanto, as empresas terão um prazo de até 14 meses para concluir a adaptação às novas regras.

Como será a implementação

O texto aprovado prevê uma redução gradual da jornada semanal.

Na primeira etapa, deverá ocorrer uma diminuição de duas horas semanais em até dois meses após a promulgação da emenda constitucional.

Em seguida, haverá uma nova redução de duas horas, que deverá ser concluída em até 12 meses após a primeira fase.

Ao final do processo, a jornada máxima passará a ser de 40 horas semanais, mantendo o limite de oito horas diárias.

O que muda para os trabalhadores

A PEC determina que os trabalhadores tenham direito a duas folgas remuneradas por semana.

Pelo menos uma dessas folgas deverá ocorrer, preferencialmente, aos domingos.

O texto também estabelece que a redução da jornada seja aplicada sem qualquer diminuição salarial.

Segundo a proposta, os salários deverão ser mantidos integralmente, sem reduções nominais ou proporcionais.

Senado ainda precisa aprovar o texto

Por alterar a Constituição Federal, a proposta ainda precisa passar pelo Senado Federal.

Caso os senadores aprovem o texto sem mudanças, a PEC seguirá para promulgação.

Se houver alterações, a proposta retornará à Câmara dos Deputados para nova análise. Somente após aprovação nas duas casas legislativas o texto poderá ser promulgado e entrar em vigor.

Convenções coletivas terão de ser renegociadas

Outro ponto previsto na PEC é a perda automática da validade de acordos e convenções coletivas incompatíveis com as novas regras.

A medida passará a valer 60 dias após a promulgação e deverá levar sindicatos e empresas a renegociarem contratos de trabalho para adequação à nova legislação.

O período de transição foi um dos principais temas de negociação entre governo, parlamentares e representantes do setor produtivo, que defendiam um prazo maior para adaptação das empresas.

Quem ficará fora das novas regras

A proposta exclui das novas regras trabalhadores com diploma de ensino superior e renda equivalente a pelo menos duas vezes e meia o teto do INSS, atualmente em torno de R$ 20 mil mensais.

Para esse grupo, não serão aplicadas as regras constitucionais de jornada de trabalho e controle de ponto.

Os defensores da medida afirmam que a exceção busca ampliar a liberdade de negociação para profissionais de alta renda e reduzir a chamada pejotização.

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