Mirna Graciela
Tubarão
Os acidentes de trabalho são preocupantes porque muitos poderiam ser evitados com a adoção de medidas de segurança. De janeiro deste ano até o último dia 30, foram atendidas 524 ocorrências que envolvem trabalhadores da região, na emergência do Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), em Tubarão.
As estatísticas revelam que faltam políticas de segurança aos funcionários de algumas empresas e de promoção da saúde de seus colaboradores. Entre os acidentes, a queda de nível ocupa o primeiro lugar. Depois vem o uso indevido de equipamentos, como, por exemplo, um corte na mão ao manusear uma serra, a falta de óculos apropriados ao utilizar materiais biológicos, entre outros.
No ano passado, houve um registro de 1.214 atendimentos de acidentes de trabalho no HNSC. Além de sobrecarregar os serviços de saúde – a maioria é pelo Sistema Único de Saúde (SUS) -, geralmente resultam em tratamentos mais prolongados.
No Corpo de Bombeiros Militar da Cidade Azul não é diferente. O atendimento de pessoas que sofrem quedas de nível é constante. No entanto, um alerta é feito pelos profissionais.
Este tipo de acidente também ocorre com frequência fora do ambiente de trabalho. Moradores arriscam-se a consertar telhados, por exemplo, e se descuidam da segurança.
O uso incorreto de escadas é outra prática comum, especialmente com a proximidade da temporada de verão, quando muitos veranistas arriscam-se para reformar e limpar as suas residências.
Jovem cai de laje de construção
A queda de nível fez mais uma vítima ontem. Um jovem de 25 anos caiu de uma altura de cerca de 10 metros, em Tubarão. Ele trabalhava na laje de uma construção, no bairro Dehon. O rapaz foi levado pelos bombeiros militares ao Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC) e não corre risco de morrer.
Um homem morre e outro fica 45 dias na UTI
As quedas de nível, sejam no ambiente de trabalho ou doméstico, podem levar à morte ou trazer sequelas irreparáveis. E, na maioria das vezes, a falta dos equipamentos de segurança é a principal causa.
No mês passado, um jovem de 20 anos caiu de uma altura de dez metros. Ele trabalhava no depósito de um supermercado, em Tubarão, durante uma madrugada.
O rapaz ficou 30 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Hospital Nossa Senhora da Conceição. Depois, ainda esteve por duas semanas internado no setor neurológico, antes de receber alta.
O mesmo não ocorreu com Jussário Cabral Marcolino, 45. Ele foi socorrido no dia 7 do mês passado pelos bombeiros militares de Tubarão.
O homem caiu de uma altura de cinco metros. Neste caso, foi em sua casa. A vítima não resistiu e faleceu dez dias depois no hospital.
Ainda no mesmo mês de junho, no dia 24, um homem fraturou um braço e uma perna, em Armazém. Ele estava no telhado de sua casa, quando caiu. Da mesma forma, Pedro Floriano Pacheco, 52, acidentou-se. Foi em outubro do ano passado, na praia do Arroio Corrente, em Jaguaruna.
Ele estava em uma escada e fazia a pintura do telhado de uma casa. Mas não resistiu e morreu na hora.