Antes de iniciar o tema para o qual sou convidado a discorrer, pergunto à plateia, formada majoritariamente por professores, se, para o bom êxito do evento, podemos rezar um Pai Nosso, uma Ave-Maria, uma Salve Rainha e um Creio em Deus Pai.
É espantoso, mas a maioria acena positivamente. Raramente alguém lembra que é preciso respeitar a diversidade religiosa. Mais grave é constatar, no decorrer da conversa, que inicia e termina aula, dia, semana, mês e ano e não se faz, salvo raríssimas exceções, ao menos uma reflexão com os alunos.
Até bem pouco tempo havia nas salas de aula, acima do quadro – que ainda era negro – um crucifixo -, e a professora não iniciava a aula, sem antes, com todos os alunos de pé, ao lado das carteiras e cadeiras, rezarem uma oração. É evidente que havia o predomínio absoluto da religião católica.
De fato, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira veda qualquer forma de proselitismo religioso, mas determina que tal ensino “é parte integrante da formação básica do cidadão, assegurando o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil”. Infelizmente se faz, ainda salvo exceções, apenas na disciplina específica.
Observa-se, que de forma voluntária, contrariando os bons costumes, a legislação e recomendações da Unesco (o ensino e a aprendizagem devem sustentar-se no saber, saber fazer, saber ser e conviver), família e escola estão abandonando, progressivamente, algumas práticas da dimensão espiritual, que são fundamentais para a formação das pessoas. Isto explica, em parte, os descaminhos de muitos jovens.
A espiritualidade, segundo a Wikipédia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Espiritualidade), é uma dimensão da pessoa humana que traduz, segundo diversas confissões religiosas, o modo de viver característico de um crente que busca alcançar a plenitude da sua relação com o transcendental. Traduz uma dimensão do homem, enquanto é visto como ser naturalmente religioso, que constitui, de modo temático ou implícito, a sua mais profunda essência e aspiração.
Para Cleverson Siewert, (Jornal A Notícia, O8/O8/2012), “Espiritualidade trata-se de uma postura de vida, de ser do bem. Passa pela busca de um sentido integrador para a existência pessoal e coletiva. É promover a cultura da paz com o desenvolvimento da tolerância e dos respeito às diversidades em todas as suas formas (étnica, cultural, de gênero, sexual, religiosa).
Quanto custa conduzir e vivenciar diariamente, em casa e na escola – há empresas que fazem com os funcionários – uma oração ou reflexão ecumênica? Apenas a determinação para fazê-lo. Bons hábitos também são imitados e difundidos. Basta que se motive e se oportunize.
