Sempre que alguém se pergunta quais são as modalidades do atletismo e suas principais estrelas, o nome de alguns atletas vêm à mente automaticamente. É o caso de João Carlos de Oliveira. Talvez você não conheça esse nome dito desta forma, já que esse paulista de Pindamonhangaba ficou mais conhecido por seu apelido: João do Pulo.
João do Pulo nasceu em maio de 1954 e sua história é repleta de feitos extraordinários no esporte. Não se sabe a data exata de quando ele começou a praticar o atletismo e de quando decidiu que queria competir profissionalmente, mas ainda na adolescência ele já mostrava aptidão para provas de velocidade, explosão e força. E isso foi determinante para sua história no salto triplo e no salto em distância.
A infância como lavador de carros logo foi substituída pelo esporte. E pelas glórias. A maior delas aconteceu em 1975, quando ele quebrou o recorde mundial do Salto Triplo durante os Jogos Pan-Americanos da Cidade do México, quando por cima obteve a impressionante marca de 17,89m, recorde mundial do salto triplo que permaneceu em seu poder por 10 anos.
O feito foi tão impressionante para a época que o salto de João do Pulo superava em 45 cm o antigo recorde, algo jamais imaginado pelos analistas internacionais e até hoje motivo de observações entre os historiadores que estudam a história do esporte mundial e dos esportes olímpicos. Aquilo era um marco nas pistas de atletismo da época.
“Acho que a única comparação possível, quando falamos de recordes mundiais, é com César Cielo, que é recordista mundial da natação nos 50m e 100m livres desde 2008”, disse recentemente Bruno Doro, jornalista esportivo do UOL e responsável pela cobertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 do portal de notícias.
“Ele foi duas vezes medalhista olímpico, levando o bronze nos Jogos Olímpicos de Montreal de 1976 e também no de Moscou, em 1980. Nesta ocasião, ele foi prejudicado pelos árbitros soviéticos, que anularam quatro de seus seis saltos na final – um deles tinha certeza que teria saltado acima dos 18m”, comentou Marcelo Laguna, jornalista esportivo e criador do blog Laguna Olímpico, do portal Olimpíada Todo Dia.
Mas não há dúvida que um dos eventos mais emblemáticos da história de João do Pulo aconteceu nos Jogos Olímpicos de Moscou em 1980. O brasileiro chegou à competição como grande favorito à conquista da medalha de ouro no salto triplo. Era o recordista mundial e tinha tudo para fazer história mais uma vez.
Após dois saltos que ultrapassaram a marca dos 18m, os juízes soviéticos que estavam na prova invalidaram os saltos dizendo que o brasileiro havia queimado a linha de impulso. Nas entrelinhas, o que se dizia era que a medalha de olho deveria ficar com o tricampeão olímpico Viktor Saneyev, que estava competindo em casa.
No fim, o ouro foi para Jaak Uudmae e Saneyev ficou com a prata, com o brasileiro em terceiro. Nos anos 2000, uma longa reportagem feita pelo jornal australiano The Sydyney Morning Herald mostrou que os saltos anulados contra o brasileiro faziam parte de uma operação do governo soviético para que a vitória ficasse com os russos.
Um ano depois das Olimpíadas de Moscou, João do Pulo sofreu um grave acidente de carro, em São Paulo, que custou a sua carreira como atleta. Além disso ele precisou amputar a perna direita. “Sabe aquilo que todo mundo diz que o atleta vive duas mortes, uma quando termina a carreira esportiva e outra quando ele realmente morre? Acho que para o João do Pulo isso foi ainda pior. A carreira dele acabou muito cedo, aos 27 anos. E pior: ele ficou sem uma das pernas”, analisa Bruno Doro.
Após o acidente, João do Pulo ainda foi deputado estadual em São Paulo, mas nunca se recuperou do trauma. Ele se envolveu com bebida alcoólica e morreu de maneira precoce, aos 45 anos, vítima de cirrose hepática, em 1999.
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