Início Especial R$ 60 milhões são comercializados na região

R$ 60 milhões são comercializados na região

Somente em uma cooperativa de Tubarão, três marcas são produzidas diariamente  -  Fotos: Rafael Andrade/Notisul
Somente em uma cooperativa de Tubarão, três marcas são produzidas diariamente - Fotos: Rafael Andrade/Notisul

Rafael Andrade
Tubarão

Na contramão da crise… já virou clichê o termo, mas é exatamente o que aponta uma avaliação divulgada ontem pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri). A região de Tubarão, que tem pouco mais de 300 produtores de arroz, foi a que apresentou o maior crescimento na safra 2015/2016: 6,15%, o que rendeu, somente aos produtores de uma cooperativa, a Coopagro, R$ 40 milhões brutos, e no mercado, um movimento monetário que bateu a casa dos R$ 60 milhões.

Juntas, as três microrregiões no sul catarinense, de Araranguá, Criciúma e da Cidade Azul, produziram 676 mil toneladas do cereal no período, gerando um valor bruto de produção de R$ 568 milhões. “O resultado da última safra no sul foi considerado bom, sendo 4,9% superior ao rendimento médio das últimas nove safras. Isso, aliado ao bom preço do arroz no mercado, tem deixado os agricultores animados”, avalia o extensionista da Epagri, Douglas George de Oliveira.

Em analogia com o Rio Grande do Sul, que teve decréscimo de produção de 15 milhões de toneladas na safra, o Produto Interno Bruto (PIB) da agricultura é um dos carros-chefes da economia barriga-verde. 

A região teve uma produção total estimada em 164 mil toneladas em 22.195 hectares, o que equivale a 7.389kg/ha. Em Araranguá e cidades vizinhas, onde está concentrada a maior produtora do estado, com mais de 30% da área plantada, houve registro de 1,72%. A produção foi de 364 mil toneladas, com rendimento de 7.086kg/ha em 51.404 hectares.

“Este crescimento é fruto de muito empenho dos agricultores”
A safra 2015/2016 foi marcada pela ocorrência do El Niño, que trouxe chuva muito acima da média desde o fim de setembro até o início de dezembro, muitos dias nublados e poucas horas de sol, além de baixas temperaturas. As lavouras semeadas muito cedo foram as mais impactadas por essas condições e registraram produção muito abaixo da média. “Isso provocou certa preocupação com relação ao que ocorreria com o resto da safra. Porém, os meses de janeiro e fevereiro foram extremamente favoráveis ao desenvolvimento do arroz em seu período reprodutivo, o que ajudou as lavouras a se recuperarem e apresentarem boas produções, permitindo esse aumento na produção global do sul do estado”, destaca o presidente da Cooperativa Agropecuária de Tubarão (Copagro), Dionísio Bressan Lemos.

O empresário está à frente de uma das seis gigantes cooperativas de Santa Catarina com  especialização na recepção, secagem, armazenagem e comercialização do arroz. As outras cinco ficam em Jacinto Machado, Turvo, Forquilhinha, Massaranduba e Rio do Sul. “Este crescimento é fruto de um árduo trabalho, principalmente do produtor, que se precaveu com as informações técnicas de uma eventual queda na safra, e trabalhou duro. O resultado foi esta ascensão que podemos comemorar, principalmente em comparação aos números em nível nacional, onde a queda foi de 15% de produtividade”, detalhe Dionísio.

Cento e cinquenta agricultores estão associados à Copagro. O maior produtor e consumidor mundial do cereal é a China. São 150 milhões de toneladas ao ano. Em média, cada chinês consome 150 quilos por ano, enquanto o brasileiro come até 30 quilos por ano.


Presidente de cooperativa e indústria de arroz em Tubarão, Dionísio Bressan, aponta árduo empenho de produtores como principal fator de ascensão
 

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