Rafael Andrade
Tubarão
A crise na economia brasileira parece não ter mais fim. O reflexo é sentido por milhões de trabalhadores e, principalmente, por desempregados. O número de pessoas fora do mercado chega aos surpreendentes 10,4%, ficando 1,4 ponto percentual acima da taxa do primeiro quadrimestre do ano passado (9%) e superando o de 2014, que havia sido de 7,4%. O Brasil tem, hoje, 10,5 milhões de adultos economicamente ativos basicamente ou vivendo de bicos ou dependendo de familiares. Alguns ainda mantêm leve rentabilidade de programas sociais, como o bolsa família.
O relatório de abril do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nesta quarta-feira, indica um superávit em postos de trabalho na região. O resultado pode até ser considerado positivo, mas, segundo especialistas, nada aquém do anormal. Somente em Tubarão foram 1.603 admissões e 1.546 demissões, o que dá um resultado irrelevante de 54 carteiras de trabalho assinadas em um mês, para um município com 105 mil habitantes, cerca de 65 mil adultos economicamente ativos. Na região metropolitana da Cidade Azul foram 3.962 admissões, contra 3.822 desligamentos. Mais uma vez, a prestação de serviços lidera o ranking de empregabilidade, seguida do comércio, mas os números da indústria – que são poucas as instaladas por aqui – preocupam. Muitas fecham e outras reduzem turnos e demitem quase que diariamente na região.
O Brasil fechou abril com 62.844 vagas de trabalho com carteira assinada, segundo dados do Caged e Ministério do Trabalho. No acumulado dos quatro primeiros meses deste ano, o país perdeu 378.481 empregos formais. Nos últimos 12 meses, já foram reduzidas 1.825.609 vagas formais. O comércio apresenta o pior índice no período, com 30.507 demissões.