
Fernando Silva
Grão-Pará
Os suinocultores da região terão um representante na reunião emergencial, convocada pelo Ministério da Fazenda para a próxima segunda-feira, em Brasília, com a meta de solucionar a crise dos produtores no país. O objetivo é ouvir empresas e autoridades no assunto a fim de levantar possíveis soluções à crise que afeta a suinocultura desde 2011, e que foi agravada com a falta do principal insumo: o milho.
Edson Wiggers, proprietário do frigorífico Notable, em Grão-Pará, foi convidado, juntamente com outros representantes do sul, para participar da reunião. A empresa de Edson tem 120 funcionários diretos, além diversos empregados indiretos, que prestam serviços terceirizados, como motoristas de caminhão, veterinários e técnicos em outras áreas.
O trabalho do frigorífico também envolve 200 produtores independentes. São abatidos cerca de 700 animais por dia, o que coloca o estabelecimento entre os seis maiores do estado. Para Edson, o governo federal deve agir com rapidez e eficácia.
“Vivemos uma situação bastante delicada na suinocultura. Os custos de produção estão muito elevados e isso inviabiliza o negócio. Hoje há uma falência em massa dos produtores e das pequenas e médias empresas, e isso é ruim para o mercado. Nós temos milho e soja, o que não existe é um auxílio para reduzir o valor da saca e do frete. Sem isso, o custo sobre mais ainda”, enumera o empresário.
Representante regional
A empresa de Edson Wiggers, o frigorífico Notable, em Grão-Pará, está entre as seis maiores empresas do setor em Santa Catarina. Com um abate diário de 700 animais e parceria com mais de 200 produtores, o empresário será o representante da região na reunião de emergência convocada pelo Ministério da Fazenda, em Brasília, na próxima segunda-feira.
De toda a produção do Notable, 80% é carne in natura destinada para o mercado interno, e 15% segue para exportação para o Caribe, países do leste europeu e Hong Kong. Os outros 5% são transformadas em matéria prima para indústrias de derivados.
O frigorífico possuí 120 trabalhadores diretos, além de 40 caminhões agregados para transporte dos animais e outros 20 funcionários prestadores de serviço terceirizados.
O projeto inicial da empresa era ter a produção de 50% destinada ao mercado interno e 50% para o externo. “Entretanto, para alcançar esta meta, é necessário ampliar as instalações. Porém, devido a crise no setor, estes planos seguem engavetados”, lamenta o empresário.
Venda insustentável
Devido ao alto custo de produção, nem todos os produtores independentes conseguem manter-se no mercado. Os grandes frigoríficos conseguem suportar mais a crise não pelo valor de carne in natura, e sim por conta da produção de derivados, que têm maior valor agregado, como o presunto e o salame, por exemplo. Atualmente, o preço do suíno vivo está 25% abaixo do valor necessário para que a produção seja sustentável.
Otimismo
O empresário de Grão-Pará Edson Wiggers, convocado para participar da reunião em Brasília, na próxima segunda-fera, relata que está otimista quanto as possíveis soluções que poderão ser viabilizadas no encontro. “Estaremos no palco onde as decisões são tomadas. Espero contribuir para que o governo consiga criar mecanismos que beneficiem a todos”, torce.
A crise
A crise na suinocultura dura quase dois anos, mas se agravou nos últimos 90 dias. As condições climáticas castigaram as plantações de milho de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul e também a norte-americana. Isso provocou uma queda acentuada do insumo, um dos principais do setor. O resultado é um no custo de produção muito mais alto.
Exportações
Conforme dados da Associação Catarinense de Criadores Suínos (ACCS), um comparativo entre agosto de 2011 com o mesmo mês este ano, demonstra que existe um crescimento na exportação de carne suína. O setor catarinense superou o do estado do Rio Grande do Sul. Os três países que mais compraram foram Rússia, Ucrânia e Hong Kong.
Agosto de 2012
Quantidade: 119 mil toneladas
Total em US$: 320 milhões
Agosto de 2011
Quantidade: 98 mil toneladas
Total em US$: 280 milhões