José Carlos Duarte
Advogado e escritor
jcdadvogado@yahoo.com.br
Santa Catarina, destino turístico de muitos, em especial, nos meses de verão, considerando suas belíssimas praias e sua extensa orla atlântica. Vê-se que refiro-me a períodos de veraneio, mas, não posso olvidar-me de considerar a beleza e os locais aprazíveis que o estado catarinense possui, além da parte costeira. São belas suas cidades, onde constata-se a pujança e o mesclar de culturas as mais diversas, mantidas por várias gerações familiares, e porque não registrar a tipicidade industrial de cada uma destas cidades e da hospitalidade de seus habitantes no trato com os visitantes. Este é o superficial retrato físico de Santa Catarina. Mas, não é por isso que escrevo. Escrevo porque Santa Catarina pode muito mais do que oferece hoje aos turistas, fonte importante de sua receita orçamentária. Outro dia, li a notícia de que o governo federal quer dar incentivo fiscal a setor de turismo, cujo principal objetivo é criar áreas especiais para instalação de empresas hoteleiras e atrações. Nesta matéria, disse o Ministro do Turismo, Machado Álvaro Antonio, que “isso é uma ação prioritária”. No caso específico de Santa Catarina, referiu-se expressamente que o aproveitamento de regiões com infraestrutura já estabelecida com parques, como o Beto Carrero World, é um dos critérios.
Na verdade, o Brasil como um todo, está dormindo há longos anos, no quesito turismo. A autarquia EMBRATUR é um armário onde guardam-se os sonhos turísticos brasileiros. Nem quero saber se a EMBRATUR se há figura do armário se assemelha a um enorme guarda-roupas , onde estão pendurados muitos e muitos cabides de empregados, sei sim que, deixa muito a desejar no âmbito de suas atribuições. Novo governo, renovadas expectativas. Talvez o governador Carlos Moisés da Silva, junto com seu secretariado, em especial com o Secretário de Desenvolvimento Econômico Sustentável e Turismo, Lucas Esmeraldino, e a Secretária de Desenvolvimento Social, Maria Elisa de Caro, possam dar uma alavancada da maior importância ao turismo, seja buscando o aprimoramento e a difusão de cursos técnicos aplicáveis à área, seja preparando o povo catarinense a bem receber os visitantes , seja criando mecanismos específicos ao atendimento do turista, ou seja, tudo fazendo para que venham ao estado e saiam para seus locais de origem com a real intenção de retorno ao solo catarinense e mais, como propagadores do prazer que aqui tiveram .
Possam os governantes dar um cunho de vital importância ao turismo, criando e desenvolvendo condições, de toda ordem, para que se possa efetivamente ter um estado reconhecido não só pelas belezas naturais, mas, também pelos serviços colocados à disposição. Presentemente se lê que números confirmam menos argentinos no verão. Manchetes outras dizem: “caí número de argentinos em Santa Catarina”. Na verdade, não é só a diminuição do número de argentinos, é também a diminuição de número de outros turistas, seja pela dificuldade financeira que a todos assola, mas, tenha-se a certeza de que a precariedade de serviços públicos aplicados ao turismo. O Ex-Governandor do Estado, Eduardo Pinho Moreira, em artigo veiculado, afirmou que: “SC pronto para um novo tempo”. Uma pergunta que nem precisa de resposta: Meu prezado e respeitável Ex-Governandor, de que mundo utópico, quimérico, Vossa Excelência se refere, ante a gama de problemas estruturais que o novo governador se deparou após a posse? Valho-me do arguto colunista Cacau Menezes, quando ele disse que : “Floripa já faz parte do Estrelato”, quando se refere a Baía Norte, quando otimistamente refere-se a ponte Hercílio Luz, quando esfuziantemente fala do novo aeroporto, quando trata da praça Tancredo Neves, como transformada, futuramente, numa praça na acepção da palavra. Mas, também reporto-me na necessidade de recuperação do aterro da Baía Sul, que ainda na opinião do mesmo Colunista , hoje se caracteriza pelos maus tratos e imundices. Sei que Florianópolis, não é o todo do estado de Santa Catarina, mas, não podemos deixar de considerar que a cidade ilha é o cartão de visita do estado. É a referência maior .
Ingressar em Florianópolis, em determinados horários, é de uma tensão só. Ir de Florianópolis até Canasvieiras e outras praias próximas é um teste de paciência e quiçá de sobrevivência. Questão de intenso tráfego se resolve ou se ameniza por estudos técnicos aplicados. Dificuldades em mobilidade urbana tem solução, difícil, mas, tem. O que não se pode admitir é que se ingresse num trecho de percurso regular de trinta minutos e esse percurso nos canse por mais de hora, quando não mais. Sem fugir ao assunto a que propus tratar, quero dizer que estive veraneando na Praia da Pinheira e Guarda do Embaú , ambas no município de Palhoça, no fim de ano e início de janeiro corrente, e tristemente constatei a precariedade de serviços, seja pela impropriedade de balneabilidade de alguns locais, seja pela ausência de locais para operações bancárias, limitando-se a pouquíssimos ou raros locais, onde se formam extensas filas e adequadas aos horários de supermercadistas , e acreditem os leitores desta matéria, passei mais de cinco dias, sem água. Sem água em local turístico? Brincadeira…
Claro que quem lucrou foram as revendedoras de água natural ou mineral, mas, que prazer terá o turista, como eu, em retornar numa próxima ocasião ante esse caos? Santa Catarina, possui todas as condições de agregar receita expressiva na rubrica turismo interno, mas, tem que criar mecanismos de receber as pessoas e prestar bons serviços. Turista é essencialmente uma ou mais pessoas que se deslocam para um lugar, que não é o seu habitual, buscando desestressar , renovar energias e alegrar-se com sua família e/ou amigos, encantando-se com as belezas do lugar e tranquilo com os serviços à disposição. Santa Catarina, acorda. Teu potencial é grandioso. Tuas belezas naturais são invejáveis.