
Fernando Silva
Tubarão
Muitas vezes a sensação é que as quatro estações do ano ocorreram juntas, em um único dia. Temperaturas elevadas caem em poucas horas. Uma hora chove, na outra venta, depois o sol aparece forte no céu. Haja organismo para aguentar tantas mudanças em tão pouco tempo!
Com esta variação climática severa, o sistema imunológico fica enfraquecido e abre as “portas do corpo” para a entrada de vírus, como o da gripe, por exemplo. “A partir das viroses, os problemas respiratórios começam a aparecer ou piorar”, afirma o pneumologista Adilson Medeiros dos Santos, de Tubarão.
Pessoas que sofrem de doenças respiratórias, como a sinusite, bronquite e asma, por exemplo, ficam ainda mais vulneráveis e podem ter o problema agravado em função da modificação repentina do clima.
“A maneira de prevenir e combater essas doenças é aumentar as doses de medicamento”, indica o especialista, ao advertir: “Tudo deve ser feito com o acompanhamento do médico”.
De qualquer forma, o pneumologista salienta que, como a gripe é a principal causadora de doenças respiratórias, o melhor é a prevenção.
“A gripe é a porta de entrada para outras doenças, já que deixa o organismo bastante debilitado. O ideal é buscar a vacina , hoje amplamente difundida no país. Em casos de doenças genéticas, as pessoas com sistema respiratório mais sensível devem buscar tratamento médico”, destaca Adilson.
Os fumantes e as doenças respiratórias
Para o pneumologista Adilson Medeiros dos Santos, de Tubarão, os fumantes são mais sensíveis às doenças respiratórias e a sentirem as variações bruscas da temperatura. “São pessoas que estão propensas a terem algum tipo de doença respiratória com o passar do tempo. A agressão provocada pelo tabagista no próprio sistema respiratório é muito grave”, adverte o especialista.
Dificuldade para se acostumar
A professora de língua estrangeira Gisele de Souza, tem 32 anos e é natural do Caribe. Morou 11 anos nos Estados Unidos e, por não gostar do frio optou por um estado quente: a Flórida. “É uma das regiões com as temperaturas mais elevadas dos EUA”, afirma a educadora. Há um ano e três meses em Tubarão, Gisele revela que costuma sofrer com a sinusite e a gripe, em função das mudanças bruscas nas temperaturas.
“Desde que chegamos, fico muito gripada, Quando estava na Flórida, eu sofria de alergia em algumas estações, como o outono e a primavera, por causa do pólen. Ainda não consegui me adaptar ao clima aqui do Brasil. Em um dia tem as quatro estações do ano!”, exclama Gisele, que adotou a tática de nunca sair de casa sem um casaco, mesmo nos dias de verão.
A caribenha Gisele de Medeiros está há pouco mais de um ano no Brasil, mas ainda não se acostumou com a variação climática do país
Inaladores
Com a preocupação em torno de questões ambientais, as chamadas bombinhas de ar (medicamentos em spray que são utilizados para tratar doenças respiratórias) foram, em 2009, consideradas nocivas para a camada de ozônio devido ao gás clorofluorcarbono, o famoso CFC.
Ainda que esta versão do medicamento continua a ser comercializada, hoje existem outros modelos de aparelhos com a mesma função. Para o pneumologista Adilson Medeiros dos Santos, de Tubarão, medicamentos desse tipo possuem ação mais rápida e mais eficaz.
“Existem alguns mitos em torno das bombinhas, como a questão de causar dependência. Na realidade, isso não é verdadeiro. Medicamentos assim são os mais eficazes e ágeis no combate as doenças respiratórias. Hoje, o mercado conta com uma série de modelos, todos com a mesma função”, explica o médico.
A realização da nebulização, completa Adilson, é uma forma de usar o medicamento para doenças que atingem o sistema respiratório de maneira eficaz. Entretanto, apenas o vapor no chuveiro quente ou sauna, por exemplo, servem apenas para descongestionar e umidificar as vias respiratórias.
Hoje, os pacientes que utilizam medicamentos por inalação contam com uma grande variedade de aparelhos para o tratamento