Casal com nanismo conta história de superação, de curiosidades, de luta contra o preconceito, de paixão, de exemplo de vida!
Rafael Andrade
Braço do Norte
Ele é de Joinville, ela de Braço do Norte, os dois têm nanismo, sofreram preconceitos, principalmente quando crianças e adolescentes, lutaram para garantir um espaço adequado na ainda sociedade de intolerância brasileira, mas algo os aproximou, pelo menos até que a morte os separe. Jaisson e Leinha são os personagens de hoje da série especial da Semana dos Namorados veiculada pelo Notisul.
Jaisson Corrêa de Oliveira, 35 anos, inspetor de qualidade da empresa Copobras, de São Ludgero, e Vanderléa Bloemer, 38, a Leinha, do lar, natural de Braço do Norte, hoje unidos pela paixão, carinho, respeito, cumplicidade, amor. O casal enche de brio a rua José Ernesto da Silva, no bairro Rio Bonito, na Capital do Vale.
Naquela simpática casinha verde-limão de janelas brancas, na subidinha de um morrinho, taticamente localizada e iluminada à espreita do nascer ao pôr do sol, faz surgir brilhos e reflexos que valem a pena, além de histórias que batem nos ouvidos e estufam no coração, exemplos que reforçam que o amor é possível a todos, é natural do homem, vidas que podem servir de amparo a quem está carente, pois naquela casinha minuciosamente cuidada, floresce o significado de família, que não mede tamanhos, mas sim sentidos.
Jaisson tem 1,25 metro e um coração de gigante, Leinha mede 1,32 metro, teve problemas com hormônio do crescimento, aos 14 anos tinha somente um metro de altura, fez dois anos de tratamento, cresceu 32 centímetros, mas precisou parar o acompanhamento clínico, pois poderia ficar com os ossos atrofiados. “Graças a Deus eu ando, falo, sou só baixinha, só isso”, resume Leinha.
Antes de casar com Jaisson, ela teve outro relacionamento, também com um anão, de 1,08 metro, de Rio do Sul, e desta união nasceu Letícia Bloemer de Souza, com Síndrome de Down, hoje com 6 anos, e que ganhou outro ‘pai’: Jaisson, que a trata e defende com um amor tão singelo, puro, que qualquer criança sentiria vontade de tê-lo como protetor… Letícia é menina de sorte! A família vive em ampla harmonia.
O casal especial se conheceu pela internet há 11 anos, namorou por cerca de dois anos, depois, em virtude da distância de 330 quilômetros, o relacionamento acalentou, mas ressurgiu de forma mais veementemente após cinco anos, e em 2012, ainda mais forte, rebrotou e como diz Leinha: “o amor nunca tinha adormecido, somente dado um tempo”.
Há muitos projetos na vida dos dois, pessoais e profissionais. Jaisson pretende cursar Engenharia Química ou de Materiais, reforçar o ensino da filha de coração, Letícia, poder proporcionar maior conforto à sua amada, adquirir a casa própria – moram de aluguel há pouco mais de quatro anos. Ela, que ganhou incentivo do marido para aprender a dirigir, recebeu e pôde distribuir sua paixão, agradece por confiar à sua mão ao seu eterno namorado e, neste caso, nem a morte irá os separar.
