FOTO: Thiago Kauê/Secom Divulgação, Notisul
Entre janeiro e agosto de 2025, Santa Catarina registrou 427 doações de córneas, sendo 46 realizadas pelo Centro de Pesquisas Oncológicas (CEPON), unidade do Governo do Estado que é referência em todo o processo. No mesmo período, foram feitos 581 transplantes de córneas e escleras, mas ainda há 578 pessoas na fila de espera. Neste Setembro Verde, a Secretaria de Estado da Saúde reforça a importância de conversar com a família e manifestar o desejo de ser doador.
A doação que transforma vidas
A doação de órgãos e tecidos só acontece com a autorização da família. Por isso, expressar em vida a vontade de doar é fundamental. Foi o que fez a família de Dirceu, paciente do CEPON.
“Meu irmão já havia falecido quando perguntaram sobre a doação. Eu disse sim, porque acredito que era algo que ele também gostaria. Decidimos doar as córneas e tudo o que fosse possível. Aqui em casa, falamos sobre isso e acreditamos nesse gesto”, contou Paulo Diogo, irmão do paciente.
Cada decisão de doar pode mudar destinos: uma única doação de córneas pode beneficiar duas pessoas que aguardam pela chance de voltar a enxergar.
CEPON é referência em doações
Mesmo pacientes oncológicos podem ser doadores de córneas, com exceção de alguns casos específicos, como em doenças onco-hematológicas. De acordo com especialistas, cerca de 90% das córneas avaliadas estão aptas para transplante e podem ser preservadas por até 15 dias após a retirada.
O diretor-geral do CEPON, Dr. Marcelo Zanchet, destaca o cuidado no processo:
“Conduzimos cada etapa com ética e respeito, garantindo dignidade ao corpo do doador e uma despedida serena à família. Doar é transformar dor em esperança.”
Desde 2013, a Comissão Hospitalar de Transplantes (CHT-CEPON) já contabilizou 1.031 doações. A instituição recebeu, em 2018, o título de maior doador de córneas de Santa Catarina.
SC é referência nacional em transplantes
Santa Catarina é destaque no cenário nacional pelas taxas de doação e transplante de órgãos e tecidos. Dados da SC Transplantes indicam que o estado apresenta índice de doação de 42,4 pmp (por milhão de população) e taxa de não autorização familiar de 28,4%.
Mesmo com bons números, a fila de espera ainda é um desafio. Atualmente, 578 pessoas aguardam por córneas no estado, e para muitas delas, a doação é a única chance de recuperar a visão.
