CVV de Braço do Norte promove ações de prevenção nas próximas semanas para alertar e prevenir o suicídio, que a cada ano apresenta maiores índices no município.
Lysiê Santos
Porto Alegre (RS)
Já ouviu aquela famosa frase do ator Charles Chaplin: “A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos”. Pois é, diariamente, milhares de pessoas tentam aproveitar da sua forma, cada segundo da vida. No entanto, com todas as mudanças vivenciadas nos últimos tempos, a correria desenfreada, pressões do trabalho, crise econômica, decepções amorosas, doenças, desentendimentos na família… Enfim, são muitos os motivos que podem nos levar a pensar até onde vale a pena continuar vivendo.
Durante séculos de nossa história, por razões religiosas, morais e culturais o suicídio foi considerado um grande “pecado”, talvez o pior deles. Por esta razão, ainda temos medo e vergonha de falar abertamente sobre esse importante problema de saúde pública.
De assunto mantido entre quatro paredes, tema de série na internet, o suicídio de jovens cresce de modo lento, mas constante no Brasil: dados divulgados pelo Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde mostram que, em 12 anos, a taxa de suicídios na população de 15 a 29 anos subiu de 5,1 por 100 mil habitantes em 2002 para 5,6 em 2014 – um aumento de quase 10%.
O assunto é sério e merece reflexão. A esperança é o fato de que, segundo a Organização Mundial da Saúde, nove em cada dez casos poderiam ser prevenidos. É necessário a pessoa buscar ajuda e atenção de quem está à sua volta. E esse tem sido o objetivo da campanha Setembro Amarelo, que inicia na próxima semana. A ação de conscientização sobre a prevenção do suicídio tem foco direto de alerta à população a respeito da realidade do suicídio no Brasil e no mundo e suas formas de prevenção.
Centro passará a atender 24 horas
O CVV de Braço do Norte conta com uma equipe voluntária composta por sete plantonistas, 20 apoiadores diretos e 100 indiretos. Hoje, a associação atende pelo telefone 141 das 19 às 23h. Na sexta-feira da próxima semana, os colaboradores participarão de um congresso onde a unidade da Capital do Vale receberá a autorização para atendimento 24 horas por meio do número 181. “Os moradores serão atendidos por outros plantonistas do Brasil. No momento ainda não fazemos assistências presenciais, mas estamos lutando para alcançar novos voluntários e o apoio de um segurança para o local”, pretende a voluntária.
CVV de Braço do Norte incentiva a prevenção
O Centro de Valorização da Vida (CVV) é uma associação sem fins lucrativos, filantrópica e reconhecida como de utilidade pública federal. Presta importante serviço voluntário e gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio para todas as pessoas que necessitam conversar, com a garantia de total sigilo. Nos 18 Estados nos quais a associação atua, são mais de um milhão de atendimentos todos os anos.
Em Braço do Norte, a sede do CVV atua há quase um ano. O município ocupa o topo da lista de casos entre as cidades de até 30 mil habitantes do Estado. De acordo com a voluntária do CVV da capital do Vale, Eliane Cristina Martins, só neste ano já foram registrados dez suicídios por enforcamento, fora os outros casos que não são contabilizados. “Nesse próximo mês, teremos várias ações de valorização à vida junto às indústrias e o comércio, que usarão camiseta amarela e farão outras atividades”, afirma. Ela informa que no próximo dia 6 terá uma palestra sobre a constelação familiar no salão paroquial, no Centro, às 19h. Já no dia 7, a associação fará a ‘Marcha pela Vida’ durante o desfile cívico.
