
Tubarão
O surfista catarinense Ricardo Santos, o Ricardinho, de 24 anos, não resistiu aos ferimentos provocados pelos três tiros que foi atingido nesta segunda-feira e morreu no início da tarde de ontem, no Hospital Regional de São José, em Santa Catarina. O autor dos disparos foi o policial militar Luiz Paulo Mota Brentano, de 25 anos, do batalhão de Joinville.
Um dos amigos de Ricardinho, o surfista de Jaguaruna, Thiago Nunes, o Thiago Jacaré, conta que a vítima participaria de um evento em abril na ‘Laje da Jagua’ na Cidade das Praias. Porém, os planos foram interrompidos com a morte precoce do atleta, que nasceu em Palhoça, na Grande Florianópolis.
“Ele sempre quis participar de algum evento na Laje da Jagua. Combinamos no fim do ano passado que ele participaria este ano do Desafio Mormaii. Mas, infelizmente, não deu tempo e ele morreu. Estamos todos chocados. Isso não poderia ter ocorrido. O policial foi despreparado e não mediu as consequências”, lamenta Jacaré.
O tio da vítima, Mauro da Silva, conta que o sobrinho viu o policial usar drogas e pediu para ele não fazer isso em frente à casa da família, além de o veículo estar impedindo o andamento das obras que eram feitas no local. “Minutos depois, o Ricardo passou na frente do carro e o cara simplesmente atirou sem falar nada. Ele estava tão fora de si que atirou até no próprio retrovisor do carro”, lembra Mauro.
O velório é realizado no Salão Paroquial da comunidade da Guarda do Embaú. A missa ocorrerá hoje, às 10 horas, e o sepultamento será realizado no cemitério de Paulo Lopes, cidade vizinha da Guarda, no início da tarde. Os familiares do surfista doaram as sua córneas.
O garoto que não deixou a sua base
Ricardo dos Santos nasceu no dia 23 de maio de 1990 em Palhoça, local que sempre morou. Ele foi baleado na porta de sua casa, na localidade da Guarda do Embaú, pelo policial militar Luiz Brentano. O oficial é de Joinville e está preso no quartel da Polícia Militar em Florianópolis.
O surfista iniciou a prática nas águas do mar em Florianópolis com 7 anos e logo começou a participar de inúmeras competições da modalidade. Conforme testemunhas, Ricardo foi tirar satisfações com o policial e seu irmão após eles pararem sobre um cano de uma obra que era realizada e levou três tiros.
A vítima participava de competições profissionais de surfe desde 2008. Ele competiu em sete etapas do WCT (Circuito Mundial) e chegou a bater Kelly Slater em Teahupoo no Taiti em 2012, quando avançou às quartas de final.
Na elite do surfe, sua última aparição foi em Pipeline, no Havaí, em 2013, quando terminou na 37ª colocação. Ricardinho disputou também inúmeras etapas do Qualifying Series, espécie de segunda divisão.