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Fora da ficção: entenda a teoria do buraco de minhoca de Stranger Things

Após quase uma década de mistério, Stranger Things revelou a origem do Mundo Invertido e conectou a mitologia da série a um conceito real da física: o buraco de minhoca. A explicação surpreendeu fãs, mas não nasceu na ficção científica. Ela está prevista na teoria da relatividade geral, desenvolvida por Albert Einstein no início do século 20.

O que a série revela sobre o Mundo Invertido

Nos episódios finais da quinta temporada, o personagem Dustin conclui que o Mundo Invertido não é uma dimensão independente, mas sim um buraco de minhoca — uma espécie de túnel que conecta dois pontos distintos do espaço-tempo.

Na lógica da série, o buraco de minhoca liga Hawkins a uma dimensão chamada Dimensão X, também associada ao Abismo, onde Vecna se fortalece. O Mundo Invertido funciona como o corredor dessa ligação, uma versão distorcida da cidade criada pela própria conexão entre os dois extremos.

O que é um buraco de minhoca segundo a ciência

Na física, o termo buraco de minhoca descreve um túnel hipotético no espaço-tempo que poderia ligar regiões muito distantes do Universo — ou até diferentes instantes no tempo.

Uma analogia comum é dobrar uma folha de papel e furá-la com um lápis: em vez de percorrer toda a superfície, o caminho é encurtado por dentro da dobra.

Essa possibilidade surge da relatividade geral, que descreve a gravidade como resultado da curvatura do espaço-tempo causada por massa e energia. Em situações extremas, os cálculos matemáticos permitem a existência dessas “pontes”.

Pontes de Einstein-Rosen

Embora o termo “buraco de minhoca” seja popular, Einstein e o físico Nathan Rosen chamaram o conceito de pontes de Einstein-Rosen. A ideia foi apresentada formalmente em 1935, quase 20 anos após a publicação da relatividade geral.

Essas pontes surgem como soluções matemáticas que conectariam dois poços gravitacionais intensos. No entanto, a existência real dessas estruturas nunca foi comprovada.

É possível viajar por um buraco de minhoca?

Na teoria, um buraco de minhoca atravessável permitiria viagens extremamente rápidas entre regiões distantes do Universo. Porém, na prática, vários obstáculos tornam isso inviável:

  • Os modelos indicam que esses túneis seriam microscópicos, menores que partículas subatômicas

  • Mesmo versões maiores seriam altamente instáveis, colapsando rapidamente

  • A estabilidade exigiria matéria exótica, com energia negativa, algo observado apenas em efeitos quânticos muito específicos e em quantidades ínfimas

Por isso, a ideia de atravessar um buraco de minhoca permanece distante da realidade.

O que a ciência sabe em 2025

Até 2025, nenhum buraco de minhoca foi detectado por telescópios ou observatórios de ondas gravitacionais. O que existe são modelos teóricos usados para testar os limites das leis físicas.

As principais linhas de estudo incluem:

  • Simulações sobre túneis estáveis em universos primordiais

  • Pesquisas sobre energia negativa e efeitos quânticos

  • Análise de dados de buracos negros em busca de assinaturas incomuns

Esses estudos ajudam a entender a relação entre gravidade e mecânica quântica, mesmo sem aplicações práticas imediatas.

Por que buracos de minhoca fascinam tanto?

Buracos de minhoca unem ciência, imaginação e mistério. Eles oferecem uma forma visual simples de explicar conceitos complexos como curvatura do espaço-tempo, dimensões adicionais e atalhos cósmicos.

Na cultura pop, funcionam como metáfora para o desconhecido. Na ciência, servem como ferramenta teórica para explorar até onde as leis do Universo podem ir sem se romper.

FAQ – Perguntas frequentes sobre buracos de minhoca

Buracos de minhoca são buracos negros?
Não. Buracos negros têm horizonte de eventos e surgem do colapso de estrelas. Buracos de minhoca são túneis teóricos que conectam regiões distintas do espaço-tempo.

Um buraco de minhoca poderia surgir perto da Terra?
Os modelos atuais não indicam essa possibilidade. Se existirem, provavelmente estão em escalas microscópicas ou regiões extremamente energéticas do cosmos.

Eles permitem viajar mais rápido que a luz?
A velocidade local respeita o limite da luz. O que muda é a distância, que se torna menor devido ao atalho no espaço-tempo.

Eles explicam universos paralelos?
Essa ligação aparece mais na ficção. Algumas teorias especulativas consideram conexões entre universos, mas não há evidências observacionais.

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