No meu tempo, o jovem tinha educação. Quantas vezes eu já ouvi essa frase na rua ou em conversas! E quantas vezes eu pensei: “o senhor está errado”, mas não retruquei, por ser justamente uma jovem que recebeu uma boa educação dos pais e que respeita as pessoas mais velhas! É triste ser alvo das falas indignadas de uma sociedade que tem o hábito de generalizar. “Adolescente é tudo igual: é tudo mal-educado”.
Concordo que o adolescente e o jovem têm manias que irritam as pessoas, como falar gírias ou se vestir de forma que alguns considerariam inapropriadas. Isso não significa má educação. E existem, sim, jovens mal-educados, grosseiros. Eles não são, contudo, a regra.
Canso de ir ao supermercado e ficar na fila só esperando a pessoa da minha frente tirar o carrinho de compras para que eu possa passar com a minha cesta. São poucos os que tiram. E, pasme, a maioria que tira o carrinho é de pessoas mais jovens. Fico espantada com pessoas na faixa dos 50 anos buzinando na frente do hospital e jogando pontas de cigarro no meio da rua. Mas o jovem é que é mal-educado.
Num dia desses precisei fazer umas voltas pelo centro da cidade. Avistei uma senhora, que devia estar nos seus 70 anos, um pouco confusa enquanto tentava atravessar a rua. Fui até ela e ofereci ajuda: “A senhora precisa de ajuda para atravessar a rua?” – perguntei, tentando fazê-la olhar para mim. “Não, querida” – ela disse. “Muito obrigada. É que eu gosto de ter certeza que os sinais fecharam. Não gosto de arriscar, pois ando devagar”, explicou, um pouco surpresa pela minha atitude.
Conversamos um pouco até que o sinal fechou. Então, atravessamos a rua juntas e eu dei tchau a ela. Voltei para a casa com a sensação de dever cumprido.
A rua estava cheia de pessoas mais velhas. E eu, a jovem, fui a única que teve a sensibilidade de abordá-la, assim como tenho sempre que tirar o carrinho de compras da minha frente no supermercado para poder passar no caixa. Será, então, que é o jovem o mal-educado? Ou será que os jovens precisam, simplesmente, de mais exemplos das pessoas mais experientes? Não adianta falar mal das gerações mais recentes e não fazer nada para mudá-las, ou, pior ainda, dar maus exemplos a elas. Como diz meu pai, “Teu exemplo fala tão alto que não ouço o que dizes”.
