
Zahyra Mattar
Tubarão
Com a economia em queda, os reflexos são sentidos em quase todos os setores. Não tem sido diferente na construção civil. O atual momento não é muito favorável ao lançamento de novos produtos. O aumento da taxa de juros e a inflação têm desestimulado os empresários, que redobram a cautela quanto a realização de novos investimentos.
Toda a cadeia produtiva da construção civil atravessava um momento bom nos últimos anos. Agora, com o descontrole da inflação e a política de juro e de crédito, o impacto é considerado profundo, a ponto de comprometer os investimentos.
“Não há luz no fim do túnel neste restante de ano e para 2016. Enquanto a inflação e os juros não se estabilizarem e caírem, não existe nenhuma possibilidade do setor retomar o crescimento”, afirma o presidente do Sindicato da Indústria da Construção (Sinduscon) da Grande Florianópolis, Hélio Bairros.
A alta do custo de matéria prima, a escassez de terrenos disponíveis em algumas capitais, o que eleva o preço de venda, e os custos laborais ascendentes respondem, também, pela defasagem. A maior consequência, lamenta Hélio, é a deterioração do emprego.
“Os indicadores em relação à geração de empregos em Santa Catarina já sinalizam uma queda expressiva, com mais de 60% de redução dos postos de trabalho, sem contar com as demissões que são efetuadas pelas empresas”, argumenta o presidente, em tom preocupado.
Para ele, a construção civil perde duplamente com isso, pois a contratação destas pessoas foi feita a partir de grande investimento, em um momento de escassez de mão de obra em Santa Catarina e no Brasil. Ainda: o reflexo disso quando o setor retornar à normalidade pode ser extremamente ruim. “O empresário terá que, novamente, correr atrás de trabalhadores qualificados, algo praticamente inexistente no país”, pontua Hélio.