Maria Julia Goulart
Tubarão
Com a chegada do quinto dia útil (ontem), o transtorno nos serviços de autoatendimento ainda é generalizado. As filas são imensas e as pessoas precisam ter paciência para conseguir realizar todas as transações bancárias.
“Felizmente, consegui sacar o meu pagamento e realizar outros serviços nos caixas eletrônicos, mas precisei enfrentar longas filas”, lamenta a auxiliar de serviços gerais, Teresinha Rodrigues.
Quem precisou utilizar o serviço de autoatendimento ontem, além das filas, teve problemas também em relação à reposição de dinheiro nos caixas rápidos. “Os caixas foram abasteceram somente na última sexta-feira e, com isso, os autoatendimentos só foram reabastecidos no fim da manhã de hoje (ontem). Por isso a ocorrência das longas filas”, explica o bancário Ademar Bez.
O transtorno do chapeador Rivaldo Fernando Beluco foi ainda maior. “Ligaram-me para pegar alguns cheques que voltaram e não tem ninguém para fazer este serviço por mim. Fiz alguns depósitos que também não entraram na conta.
Realmente é um problema esta greve”, ressalta. Já são 20 dias de paralisação em território nacional. Na região, o movimento já completa 18 dias. A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) já ofereceu duas propostas, a primeira de 6,1% – que originou o movimento, e a segunda de 7,1%, também rejeitada. “Esperávamos que hoje (ontem) pudéssemos realizar a assembleia. Não foi o que ocorreu. Não há data para o desfecho”, salienta o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Bancários de Tubarão e Região, Armando Filho.
Situação das antigas agências do Besc
A renovação do contrato entre o governo do estado e o Banco do Brasil, sobre a incorporação do Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) ainda é incerta. Hoje, a partir das 17h30min, ocorre a reunião do Fórum Parlamentar Catarinense para discutir o futuro das agências.
O funcionamento das unidades é uma necessidade. Em 2007, quando o Besc foi incorporado pela instituição federal, governo e banco firmaram um compromisso de manter esses locais abertos ao público. As unidades são consideradas fundamentais nos 295 municípios catarinenses. Na região, existem somente em Tubarão quatro agências remanescentes do Besc; Em Braço do Norte e São Ludgero são duas cada.
A preocupação é que sejam fechados a qualquer momento. “Como o convênio termina neste mês, acreditamos que as instituições podem ser lacradas”, prevê o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Bancários de Tubarão e Região (SEEBTR), Armando Machado Filho.
Reivindicações
Entre os pedidos da categoria estão quase 100 cláusulas sociais, trabalhistas e de condições de trabalho. Os banqueiros oferecem 7,1% de aumento, enquanto a classe busca um ganho real de 11,07%. Além disso, os bancários pedem o fim das metas abusivas e do assédio moral.
Movimento na região
A paralisação é praticamente geral na Amurel. Nos 16 municípios de abrangência do Sindicato dos Estabelecimentos Bancários de Tubarão e Região (SEEBTR) são 600 funcionários de braços cruzados e 45 instituições financeiras fechadas. A única que não permanece mais no movimento é a agência do Banco do Brasil da avenida Patrício Lima, em Tubarão, porém não há atendimento ao público. O banco está fechado, apenas funciona com serviços internos. Em Laguna, Imaruí e Imbituba são dez agências que não estão atendendo e cerca de 120 bancários parados. Nesta região, somente o Itaú de Imbituba está em pleno funcionamento, devido a liminar da justiça que exigiu a reabertura da agência.
