A segunda sessão preparatória para a eleição da Presidência do Senado teve início, neste sábado às 11h46, sob a presidência do senador José Maranhão (MDB-PB) que foi determinada pela decisão do presidente Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, que determinou que o voto fosse fechado.
Maranhão, inclusive, iniciou a sessão com o secretário-geral da mesa, Luiz Fernando Bandeira, que chegou ao cargo pelas mãos de Renan Calheiros (MDB-AL), que tinha sido retirado da mesa na véspera pelo senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), que presidiu a sessão anterior, que foi recheada de polêmica. A leitura da decisão de Toffoli foi feita pelo senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE). A votação será realizada por cédulas, atendendo a questão de ordem solicitada pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).
Para ser eleito, o candidato precisa receber no mínimo 41 votos ou ser o mais votado no segundo turno. Ao todo, nove senadores disputavam a presidência quando a sessão foi iniciada: Fernando Collor (Pros-AL), Reguffe (Sem partido), Ângelo Coronel (PSD–BA), Alvaro Dias (Pode-PR), Major Olímpio (PSL –SP), Davi Alcolumbre, Renan Calheiros, Esperidião Amin (PP-SC) e Simone Tebet (MDB-MS). Simone e Amin se inscreveram hoje. Dos oito candidatos de ontem, apenas Tasso Jereissati (PSDB-CE) havia retirado a sua candidatura antes que Maranhão citasse o nome dos candidatos para discursarem.
O primeiro a discursar na tribuna foi Fernando Collor, defendeum um melhor ordenamento jurídico e a revisão do pacto federativo. “O clamor das ruas exige resposta. Rever pacto federativo é fundamental para que estados e municípios deixem de ser humilhados e passem a ter meios adequados para sua sobrevivência. Aprofundar reformas é essencial para melhorar a eficiência da iniciativa privada”, afirmou.
Reguffe, o segundo a discursar, defendeu um Senado mais enxuto e que não pode ser “um puxadinho do Executivo”. Ele prometeu analisar os pedidos de impedimento dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de um processo legislativo mais ágil. “O Senado não pode ser um clube. O Senado precisa mudar, precisa ser uma instituição mais transparente e que custe muito menos ao contribuinte brasileiro”, afirmou. O senador distrital garantiu que, caso seja eleito, pautará as reformas política e tributária e disse que vai dar atenção a temas importantes para a sociedade brasileira. Ele destacou que se os demais senadores fizessem os mesmos cortes de privilégios em seus respectivos gabinetes, como ele fez e economizou R$ 16 milhões, a economia seria de R$ 1,3 bilhão. “Um mandato pode ser digno e de qualidade, custando muito menos do que custa hoje”, disse
Na sequência, foi a vez de o senador Angelo Coronel falar na tribuna. Ele defendeu mais igualdade na distribuição das relatorias de projetos assim como mais celeridade nas reformas. O senador se estendeu por mais tempo do que os 10 minutos determinados pelo presidente e teve seu áudio cortado.
Na sequencia, Simone Tebet foi à tribuna e criticou esse método e defendeu que todos os senadores inscritos falassem o tempo necessário para concluir a defesa de suas respectivas candidaturas. A senadora defendeu mudança no regimento interno para dar mais transparência ao Senado. “Temos que mudar aquilo que pensamos. Temos que assumir um compromisso. Não venho pedir votos aos senhores senadores que votem com a consciencia para mudar”, afirmou.
Após a senadora emedebista que lançou candidatura avulsa, Alvaro Dias fez seu discurso buscando defender a volta da credibilidade do Senado, porque renunciou sua candidatura e disse que não a medida não e uma ato de covardia, mas de “um ato de desprendimento”. “Ou sepultamos a velha política ou seremos nós sepultados politicamente”, declarou.
Após Simone, foi a vez dos senadores Alvaro Dias e Major Olímpio, que anunciaram a renúncia de suas respectivas candidaturas, mas não declararam voto.
Discurso
Davi Alcolumbre, apoiado pelo ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, subiu ao palco e leu um discurso tropeçando nas palavras e no qual defendeu as reformas estruturais. “Minha candidatura é sobretudo uma forma de esperança, após ciclos de crises políticas e econômicas. Estou certo de que somos livres para recomeçar. Assim como é na vida, também é na política”, afirmou o senador de 41 anos, destacando que seria o presidente mais novo do Senado dos últimos 50 anos. “Ele prometeu escorar sua gestão em quatro pilares: independência, transparência, austeridade e protagonismo. O senador agradeceu aos senadores que manifestaram endosso à sua candidatura e elogiou os senadores Alvaro Dias e Major Olimpio por retirarem suas respectivas candidaturas e pediu adesão da senadora Simone Tebet, que lançou sua candidatura avulsa. Assim que ele acabou o discurso, Simone pediu a palavra e anunciou a renúncia e declarou apoio ao democrata.
Esperidião Amin, que se inscreveu no dia de hoje como Simone, se apresentou como alternativa para o voto livre e consciente “de quem quer verdadeiramente mudar”. Ele afirmou ser candidato em nome “da liberdade e da dignidade”. Ele defendeu que tem qualidade ética e moral, além de competência, para participar de um esforço coletivo “para tirar do chão” a política e o Parlamento. “Quem vai mudar este país somos nós, com nossas imperfeições. Temos a obrigação de melhorar e acertar”, afirmou
Amin defendeu maior avaliação nas renúncias fiscais, que somam R$ 330 bilhões apenas no âmbito federal. “Temos que dar a essa casa poder pela competencia para discutir o pacto federativo porque a empresa Brasil está falida. Temos que discutir relatorias”, afirmou. Ele criticou os jabutis nos projetos e melhor distribuiçao nas relatorias. “Temos que democratizar para os que estao chegando a responsabilidade de relatar projetos fundamentais que nao respeitam partidos e os blocos, mas o escrutínio do presidente da casa. Isso não presta”, denunciou.
O último a discursar, Renan Calheiros, tentou demonstrara modéstia. “Nunca tive ambição”, declarou ao se referir à sua candidatura à presidência do Senado. Ele defendeu a reforma da Previdência. Ele citou o enorme grau de renovação da Casa, lembrando que das 54 novos senadores que tomaram posse ontem, apenas oito foram reeleitos. “Precisamos de pessoas que estejam dispostas a reerger o senado e deixá-lo novamente de pé”,afirmou.Durante a fala, o senador lançou várias críticas ao ministro Onyx Lorenzoni e defendeu sua candidatura com o objeitvo de barrar qualquer projeto que queira rasgar a Constituição, como a confusão que ocorreu ontem no Senado. “Isso não passará. A democracia nao pode conviver com isso. Pode vivier com Onyx”, disse. Ao concluir a fala, afirmou aida que foi reeleito “porque costuma ser direto”. “Muitas vezes nem falo, prefiro o silêncio. Às vezes falam que sou mais eloquente pelo meu silêncio. Nas crises”, declarou ele, defendendo “equilíbrio entre os poderes”.
Após o discurso de Renan, o senador Marcos Do Val (Rede-ES) pediu a palavra e criticou as palavras do emedibista. “Para o que o mal triunfe, basta que o os bons não façam. senhor nao deve mais estar na presidência desta casa, porque vai envergonhar o Brasil”, disse ele, declarando apoio a Alcolumbre.
Senadores iniciaram a votação pouco depois das 15h30 enquanto populares fazem protesto contra Renan do lado de fora do Congresso. A primeira a votar foi a senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP).
