As aflições, as tristezas e as angústias. São partes de uma vida. Mas as comemorações, as alegrias e os risos também são partes de uma vida. Escrevo isso como uma linguagem rápida. Rápida é a vida. Se eu disser para você que hoje acordei triste, que não foi muito legal ter que sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava radiando na janela do meu quarto, convidando eu e você para a vida. Acordei com animo pAra baixo, nem as providências que eu tinha que tomar simples estava conseguindo fazer.
Estar triste não É estar deprimido. A tristeza É normal. Porque, quando estamos desanimados, também está tudo normal, pois ficar triste É comum, é um sentimento tão legÍtimo quanto a alegria, e um registro da nossa sensibilidade. Neste contexto, o que acho estranho é como negamos quando a tristeza bate em nossa porta. Outro dia, um amigo meu falou que seu cachorro estava debilitado, fraco, perto de morrer. O mesmo disse: “se morrer, morreu, fazer o quê”. Como se nada tivesse o atingido. Mas aquilo era claro que o atingiria.
Todos nós que nascemos um dia vamos morrer. Essa é a lógica da vida, e o processo natural. Mas, voltando ao assunto do meu colega, não podemos disfarçar a dor, nós até tentamos fingir que nada estamos sentindo. Mas no fundo estamos. Claro que temos que olhar no horizonte e seguir a vida. O que quero dizer é que, se meu cachorro partisse dessa vida, eu ficaria muito triste, pois perder dói. Como podemos dizer que “não dói”, que está tudo bem, se às vezes não está. Será que aprendemos assim? Disfarçar o que sentimos?
Estar triste e estar atento a si próprio. Estar desapontado com alguém dói. Estar desanimado dói. Descobrir que nosso animal de estimação está doente dói. Entretanto, quando descobrimos que somos frágeis, é um bom processo de cura. Nesse sentido, todos sabemos o que é a tristeza, mas poucos enfrentam de fato. Devemos compreendê-la, não disfarçá-la, sufocá-la. A tristeza tem seu direito de existir.
Por fim, claro que é melhor sermos alegres do que tristes. Mas o melhor é quando não nos privamos de sentir o que for. Na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns minutos tristes, abaixo da euforia. Lembrando que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, anunciando o fim de mais uma dor, até que venha a próxima…
