Letícia de Oliveira
Tubarão
Uma Medida Provisória (MP) em discussão no Congresso Nacional está gerando polêmica no meio esportivo. A MP-841 prevê a retirada de verbas do esporte para a segurança. A Medida altera a divisão do dinheiro das loterias que seria destinado ao esporte de base. Várias entidades se manifestaram contra a decisão.
Uma delas foi a Fundação Catarinense de Esporte (Fesporte). A presidente da entidade, Natália Lúcia Petry, destacou que cerca de R$ 400 mil a R$ 500 mil mensais deixarão de ser repassados à Fesporte.
“O esporte oportuniza, para milhões de jovens brasileiros, importantes pilares para uma sociedade mais igualitária e também incluída, sem preconceitos ou segregações. Esporte é um complemento da educação, é saúde, turismo e, consequentemente, a redução nas taxas de violência”, ressalta a presidente.
A Fesporte, que em 2018 completa 25 anos de atuação em Santa Catarina, promove, mediante estes recursos, juntamente com o governo do Estado de Santa Catarina, mais de 300 eventos anuais, em praticamente todos os municípios catarinenses. Em 2017, por exemplo, foram atendidos mais de 230 mil atletas entre 12 e 60 anos pelos eventos da Fesporte.
Efeito imediato na formação de atletas
As principais modalidades que podem ser afetadas se a MP for aprovada são as de base, onde ocorrem o primeiro contato e a formação de jovens em vários esportes.
“Com o corte de recursos das entidades que promovem o esporte, como o Ministério do Esporte, Confederação Brasileira de Desporto Escolar, Confederação Brasileira de Desporto Universitário e outras entidades, o esporte, em sua base, terá extrema dificuldade em dar sequência com projetos e programas para atender a quem verdadeiramente necessita”, comenta a presidente da Fesporte, Natália Lúcia Petry.
Ela disse que essa decisão deve ser tomada com cuidado. “É preciso reflexão diante de um ato tão sério, que pode trazer, em um curto período de tempo, mais problemas para o país. E, sem sombra de dúvidas, o esporte, aliado com a educação, é o caminho para um futuro mais próspero”.
Em Tubarão, há muitos projetos de formação esportiva. Desde aulas de diversas modalidades em escolas até a clubes profissionais que se dedicam no preparo de jovens atletas. Um exemplo é o Tubarão Futsal, que dá a oportunidade de crianças de 9 anos até adolescentes de praticarem o esporte diariamente. O presidente do clube, Eduardo Rigotti, falou dos efeitos que a MP pode ter em projetos na Cidade Azul.
“Vai acabar o projeto, porque não terá o incentivo do governo e não cobramos nada. Também não vai ter mais competições, como o Jesc – e que fomos campeões no ano passado. Sem as competições organizadas pelas federações e entidades do esporte, os atletas não vão chegar aos campeonatos nacionais”, explicou Eduardo.
Embora seus efeitos sejam imediatos, a MP precisa ser votada pelo Congresso Nacional em até 120 dias a partir de sua publicação para se tornar lei. A expectativa dos esportistas e defensores da causa é de que o governo aprove um texto bem mais favorável nas próximas semanas. Uma comissão mista composta por nomes ligados ao esporte debaterá as 95 emendas sugeridas por parlamentares.
