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Um projeto futuro para Tubarão

O rganizamos, em 2006, com a ajuda de alguns tubaronenses, experientes nas mais diversas áreas, um Projeto de Futuro para Tubarão. Os objetivos são: a) avançar do costumeiro projeto de poder (apenas ganhar a próxima eleição) para o projeto de governo (administrar bem a nossa cidade para esta e para as próximas gerações). b) evoluir do rol de promessas, que dificilmente se concretizam, para o projeto consistente, participativo, interdisciplinar, com diagnóstico claro de todas as áreas do município, metas quantitativas, estratégias e prazos para cumprimento, para que a população possa cobrar e ajudar na concretização.

 A grande verdade é que os tubaronenses estão saturados do sorriso fácil e do “blá-blá-blá” pré-eleitoral, quando tudo é possível e, depois da eleição, pouco ou nada se cumpre, sob a justificativa da “herança maldita” ou da “queda de arrecadação”, já conhecidos. O voto no interesse individual imediato, em vez de no coletivo, e no candidato que aparentemente vai ganhar a eleição, em vez do no que tem projeto e capacidade para administrar, torna a eleição, salvo raríssimas exceções, um balcão de negócios onde se compram e vendem votos e ilusões, seguidos da inevitável frustração. 

Os problemas municipais tornam-se mais complexos, naturalmente, com o aumento da concentração populacional na área urbana e diminuição dos espaços públicos; o avanço do uso de drogas, iniciado pelas lícitas; os vários tipos de poluição e destruição dos recursos naturais como se fossem infinitos. Para agravar, o setor público, em geral, está em colapso devido ao aumento das demandas (saúde, educação, saneamento, segurança, infraestrutura, etc.) e impossibilidade de os governos fazerem dinheiro – pois já se tem a mais alta carga tributária do mundo, sem retornos. 

Este cenário trágico é agravado pelos poucos e exigentes empregos, educação defasada, ausência da cultura preventiva, corrupção e incompetência deslavadas, junto à certeza da impunidade. Resulta em descrença na democracia – que precisa ser aperfeiçoada, em vez de negada, sob pena do retorno dos regimes de aventura e de exceção – e nas instituições, contribuindo, decisivamente, para diminuir a esperança e recrudescer a violência. 

Não há, portanto, mais espaço para bravatas populistas, improvisações e amadorismos numa cidade como Tubarão: a) que é polo da região mais pobre, do trecho pobre de Santa Catarina, como demonstram estudos das consultorias Urban Systems (os 12 municípios catarinenses melhores para investir estão entre Palhoça e o norte do estado) e Deloitte (das19 empresas catarinenses que mais crescem, apenas uma é de Içara e outra de Criciúma; b) cujo início do destravamento da logística (Aeroporto Regional, duplicação da BR-101, etc) exige preparação para que os impactos sejam positivos.

Concretiza-se administração eficiente e transparente ou, no curto prazo, o convívio social na bela e acolhedora cidade azul estará inviabilizado pelo avanço da barbárie. O mencionado projeto está constantemente atualizado. A prática? Depende do que os tubaronenses querem para o presente e para o futuro. 

 

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