Início Opinião Uma Ode em homenagem à Cidade de Tubarão e seus habitantes

Uma Ode em homenagem à Cidade de Tubarão e seus habitantes

Mauri Luiz Heerdt
Reitor da Unisul – Universidade do Sul de Santa Catarina


Comemorar aniversários é contabilizar experiências, é relembrar episódios dessa grande aventura que é viver. Não importa se são episódios de uma aventura pessoal ou coletiva, como é o caso de uma cidade que faz aniversário, porque ao celebrar a data de sua fundação, ela celebra o viver de todas as pessoas que nela nasceram, cresceram ou que nela se abrigaram vindas de diferentes lugares. Assim acontece também com a cidade de Tubarão, que em 27 de maio de 2017 comemora 147 anos de muitas histórias somadas, de tantas vidas irmanadas pelos mesmos sonhos e conquistas: entre essas realizações está a Unisul.

Sabemos que ao divulgar nossa própria história é natural idealizarmos os fatos, mas algumas vezes acontece de ser verdadeira a valorosa história que se conta. Portanto, orgulhosamente dizemos que a Unisul germinou, por assim dizer, às margens de um rio que, por sua vez, fundou uma cidade. O nome do rio, Tubarão, do termo guarani tuba-nharô, “pai feroz”, diz respeito tanto ao temido cacique que habitava essas terras, quanto à fúria devastadora das enchentes periódicas desse grande provedor da vida na região. Vida em movimento, como um rio pré-socrático, cujas águas em constante mudança jamais lhe permitem ser o mesmo rio. Permanente é somente a mudança. A enchente de 1974 mostrou do que é capaz o rio, mas deixou igualmente claro do que é capaz o povo que habita suas margens e que se expandiu para além de seu curso. Desse povo tem ficado a história de uma cidade escrita com coragem, fé e resiliência; escrita no movimento das mutáveis águas do seu rio e fixada nos firmes trilhos da estrada de ferro que lhe deu contornos e novos horizontes, “mesmo com algumas contradições” – segundo palavras do historiador oficial da cidade, Amadio Vettoretti.

Pode-se dizer que a história de Tubarão é feita dessa necessidade que tem sua gente de abrir caminhos e ir adiante. Não é casual, portanto, a determinação da Unisul para criar novas oportunidades e abrir novos rumos. Somos todos, afinal, descendentes dessa fé inabalável dos açorianos; nossa força está na persistência dos alemães, dos poloneses; na bravura do índio, na nobreza do negro, na engenhosidade dos japoneses; veio impressa no sangue desbravador dos italianos. Os colonos deram a força dos seus braços para abrir os caminhos de um sonho que era coletivo e essa estrada não somente definiu como estendeu os horizontes de cada um. Eram trabalhadores que mal sabiam assinar o nome, porque ao contrário da vida, que dera a eles lições de generosidade e sobrevivência, a escola disponível na época era restrita demais para abrigá-los e por isso aprenderam por instinto, na prática.

Foram seus herdeiros que anos mais tarde fundaram o Colégio Dehon e vinte anos depois, em nova mobilização coletiva, lançaram os fundamentos desta Universidade. Sabiam o quanto é importante somar sua sabedoria empírica ao conhecimento científico alcançado pelo estudo.

Assim, a Unisul não pode comemorar os 147 anos de Tubarão de outra forma que não seja celebrando ao mesmo tempo mais de meio século de parceria com sua gente que dá vida à cidade, responsável por fazê-la figurar entre os melhores PIBs do Estado, como também empresta sua pujança na composição das forças que levam esta Universidade sempre adiante.

Parabéns, cidade de Tubarão, que neste sábado registra 147 páginas de uma venturosa história escrita por cada um de seus habitantes!

Sair da versão mobile