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Vamos esperar pelos próximos assassinatos?

Afirmei, na primeira parte desta reflexão, que o fato de diminuir os assassinatos em Tubarão (de 17 em 2011, para 2 em 2013), não é motivo para relaxar.
“Tal redução deveu-se ao espetacular trabalho das polícias, que desarticulou quadrilhas em disputa de territórios, à bala, mas a principal causa dos assassinatos, o uso de drogas, infelizmente, cresce. Perceptível nos roubos e assaltos diários – quase sempre para manter o vício – que continuam a infernizar a vida dos tubaronenses”.
É fundamental lembrar que a citada melhoria dos aparatos policiais investigativos e repressivos é resultado de pressão articulada de populares e autoridades, numa memorável Audiência Pública, que lotou a Bolha da Unisul. Quer dizer, quando a sociedade articulou-se o crime foi desarticulado, mas não extinto.

 Porque esperar que se rearticule? Vidas ceifadas, inclusive dos que não estão envolvidos com a “guerra” ou dos que protegem a população (como a do Guarda Municipal) e, roubos, a partir dos próprios familiares e assaltos, referidos, constituem parte das consequências do uso de drogas.  
Também são conhecidos: Destruição das famílias, que leva a mais drogas e mais crimes. Doenças, acidentes com vítimas fatais ou com sequelas, com ônus para o já esfolado contribuinte. Quebra no rendimento, principalmente, o escolar, que dificultam a inclusão e a produtividade e, outros.
As drogas demonstraram poder de fogo e articulação ao incendiar diversas regiões e atacar as forças de segurança de Santa Catarina, no final de 2012 e início de 2013 e infiltram-se nos Poderes, ao financiar campanhas eleitorais, como foi comprovado na Operação Apocalipse que prendeu vereadores em Rondônia, em 2013.

Relatório “Segurança Pública com Face Humana”, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), lembra que a violência na América Latina combina as situações acima com cinco outros fenômenos em alta: delitos de rua, já citados; criminalidade juvenil; crimes de gênero ( contra mulheres e homossexuais); violência policial; e o binômio corrupção/impunidade.
  É fundamental lembrar que Tubarão ainda não recebeu os impactos dos bem-vindos equipamentos: grandes investimentos, mais meliantes e mais consumidores de droga.   
 Não basta, portanto, a reação articulada. É preciso, com maior energia, a ação antecipada. Quer dizer, optar pela vida de todos em vez de pelo lucro de poucos e, compreender (e praticar), que segurança pública não se faz apenas com polícia e  repressão, mas principalmente, com prevenção e com  as forças sociais articuladas.

   O Conselho Municipal de Segurança de Tubarão (Comset) inicia a agenda de 2014, em audiência com o prefeito, no dia 5 fevereiro, às 17 horas. Participe!

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