Início Opinião Vamos falar de violência doméstica?

Vamos falar de violência doméstica?

Asemana passada foi marcada por uma notícia que chocou de diversas formas muitas pessoas: a violência sofrida por Luiza Brunet, perpetrada pelo seu companheiro Lírio Albino Parisotto. Por quase habituadas que estamos às notícias de violência doméstica padecidas por mulheres das classes mais baixas, o fato ocorrido transformou-se em notícia bombástica por apontar que nas classes mais elevadas esse mal também acontece. Sim, mulheres das classes mais altas sofrem dos mesmos males a que muitas das menos favorecidas são submetidas todos os dias.

Uma pesquisa lançada em 2013 chamada “Mulheres Brasileiras e Gênero nos Espaços Público e Privado”, da Fundação Perseu Abramo, mostra-nos que a violência doméstica, ao contrário do que muitos supunham, não depende de classe social ou nível educacional. De acordo com a pesquisa, 19% das mulheres com ensino superior são atingidas pela violência física, e 25% são as mulheres com apenas o ensino fundamental que sofrem o mesmo tipo de agressão.

Ainda é apresentado um número bastante relevante quanto às formas de controle e cerceamento (restrições, constrangimentos) imposto a sexo feminino: 27% das mulheres com ensino superior sofrem esse tipo de controle, enquanto que as mulheres com menor escolaridade somam 19%. A violência psíquico-verbal alcança igualmente mulheres de ambos os segmentos sociais: 21%.

Se caracterizarmos a violência doméstica como um problema de educação que atinge toda a sociedade, percebemos que os principais motivos para as agressões são: consumo de álcool, drogas e ciúmes. Dado que qualquer indivíduo pode ser passível desses vícios ou ser ciumento, independentemente de sua classe, escolaridade, ou qualquer outro indicador,muitos homens podem se converter em agressor. 

Quanto às denúncias, o que dificulta para as mulheres de menor escolaridade é a submissão, a dependência financeira, os filhos. Dificuldades que muitas vezes não são enfrentadas pelas mulheres das classes mais altas, que, no entanto, encaram outros obstáculos, como a vergonha ou pressões familiares. 

Muitas vezes, a falta de informação é o principal gerador do silêncio dessas vítimas, que precisam buscar proteção nos direitos já conquistados com muita luta por aquelas que enfrentaram esse problema, independentemente de escolaridade ou condição social.

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