
Kalil de Oliveira
Pescaria Brava
Mesmo com uma operação discreta e realizada ainda de madrugada, o assunto que dominou esta sexta-feira em Pescaria Brava foi a prisão preventiva de um vereador do PMDB, acusado de participação em um esquema de desvio de R$ 645 mil das Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc).
O suspeito é sobrinho de um prefeito da região. Seis mandados de prisão foram cumpridos pela Diretoria Estadual de Investigação Criminal (Deic) na Operação Blackout, além de Pescaria Brava, os policiais também passaram por Laguna, onde o pai do vereador detido e irmão de um prefeito também foi levado para depoimentos.
Devido ao sigilo das investigações, a prisão preventiva só foi confirmada às 14 horas, na capital, pelo delegado Walter Watanabe, que não revelou os nomes dos acusados.
“Não temos acesso às informações, já que essa é uma diligência, por conta de um processo que não tem nada a ver com o mandato dele de vereador”, esclarece um assessor do legislativo de Pescaria.
São cinco os parlamentares do PMDB na Câmara do município, que tem pouco mais de dez mil habitantes, dois do PSDB e dois do PSD. Enquanto a justiça não notificar a Câmara, a previsão é que o quadro mantenha-se sem alteração. Além disso, a casa está de recesso até o dia 2 de agosto, apenas com um expediente ao público das 13 às 17 horas. A assessoria de imprensa na prefeitura negou que o caso tenha qualquer relação com o executivo. A última prisão de alguém vinculado ao legislativo na região foi em Imbituba em junho, quando um ex-vereador foi recluso por suspeita de desvios de cerca de R$ 6 milhões.
Entenda como eram feitas as licitações fraudulentas
Segundo a Polícia Civil, os desvios de dinheiro ocorreriam desde 2010. No esquema, havia uma troca de favores, de um lado donos de empresas de equipamentos de telecomunicação e de outras pessoas vinculadas à Celesc, entre funcionários e ex-servidores, que cobravam 5% a 10% do valor dos contratos para garantir que uma empresa vencesse a licitação.
Com os contratos fraudulentos, segundo a polícia, a quadrilha teria movimentado um total de R$ 645 mil. Para fazer uma empresa vencer a licitação, o grupo usava documentos falsos. Além disso, alguns serviços teriam sido contratados, mas não executados.
De acordo com a polícia, a prisão preventiva dos investigados foi decretada visando assegurar a garantia da ordem pública, uma vez que haveria provas recentes dos investigados praticando fraudes em outros procedimentos licitatórios espalhados por Santa Catarina.
Literalmente, “Blackout” é a interrupção de energia. A operação faz referência a maior empresa de distribuição do estado. A estatal, em 2010, respondia por 91,79% das ligações de energia elétrica com 2,3 milhões de clientes em 262 municípios. São cerca de dois milhões de postes e 150,3 mil transformadores.