
Tubarão
Se há um animal nas ruas, na maioria das vezes há um dono ‘responsável’, principalmente tratando-se de equinos. E se há um dono, muitas das ocasiões (se deixa o animal em via pública – por abandono ou quaisquer outros motivos) há negligência por sua parte. Um exemplo desta situação ocorreu neste domingo, quando uma égua precisou ser executada por meio de eutanásia após ser atropelada na madrugada e ficar agonizando por horas à beira da SC-370, no bairro São Martinho, em Tubarão. Alda Maria Leitão, médica veterinária lotada na Secretaria de Desenvolvimento Econômico da prefeitura de Tubarão, que se dispôs em realizar o atendimento ao equino, mesmo fora de seu expediente de trabalho e de maneira voluntária, foi uma das protagonistas deste caso, que culminou, infelizmente, em uma morte.
O trabalho realizado por Alda foi integralmente reconhecido nas redes sociais entre domingo e ontem. Pelo fato de ter ocorrido em uma via de abrangência estadual, chegou a ser levantado um debate sobre a jurisprudência de atendimento e responsabilidade de recolhimento. “Assim que um sargento da Polícia Militar Rodoviária (PMRv) de Gravatal me ligou (por volta das 9 horas) corri para o local. Assim que cheguei, notei os graves ferimentos na égua e que não conseguia mais manter-se em estação – posição elevada. Além disso, diagnostiquei um grave problema na coluna, uma possível fratura, e órgãos afetados pelo atropelamento. Devido à série de ferimentos e à situação, a opção mais adequada seria a eutanásia. O foco, naquele momento, era acabar com o sofrimento”, recorda Alda.
O animal precisou ficar às margens da SC por algumas horas, a logística de um resgate deste porte é muito ampla, pois necessita de várias equipes: operador de máquina, motorista de um caminhão – conveniado com a prefeitura para este tipo de serviço – e o responsável de plantão pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), local onde ocorreu o enterro. Pelo fato de ter sido registrado em um domingo e no Dia dos Pais, esta organização foi um pouco mais morosa do que de costume.
“Infelizmente, a égua teve uma fratura na coluna. Foi preciso a eutanásia. Fiquei com a minha mãe e voluntários das 13 às 16 horas na beira da rodovia tentando alternativas. Não houve uma solução imediata ou o salvamento do animal. Agradeço imensamente a veterinária Alda, da prefeitura”, escreveu uma internauta, no Facebook.
Quais procedimentos seguir nesta situação?
O recolhimento de animais em Tubarão existe há mais de dois anos e foi objeto de nova licitação existindo uma empresa contratada para o serviço de apreensão e recolhimento de grandes animais vivos, principalmente bovinos e equinos. A competência do município se restringe à sua circunscrição.
A prefeitura possui um fluxo de procedimentos que devem ser seguidos quando avistados animais em vias públicas municipais: cavalo solto: precisa acionar a Guarda Municipal por meio do telefone 153 ou a Polícia Militar no 190, daí a Guarda ou a PM acionam o veículo de resgate; a apreensão ocorre sob a tutela da GMT ou PM, mediante emissão de laudo de apreensão e boletim de ocorrência na Delegacia de Crimes Ambientais. A Guarda ficará responsável pela emissão do laudo de apreensão do animal e por fazer o registro da ocorrência; a destinação dos animais é o Centro de Controle de Zoonoses, lá o médico veterinário de plantão preencherá uma ficha de identificação e fará avaliação clínica do mesmo, depois será encaminhado ao abrigo específico onde receberá alimentação e água.