Maurício da Silva
Professor, mestre em educação
O drástico corte de gastos, adotado por muitos municípios, como o de Tubarão, constitui condição necessária, mas insuficiente, para que servidores e fornecedores sejam pagos e serviços de educação, saúde, segurança etc., melhorados.
Dependem, também, do crescimento da economia, da revisão do Pacto Federativo (maior fatia do bolo tributário para os municípios), da Educação de qualidade e da mudança de atitudes dos eleitores e dos eleitos. Só troca de governantes nada resolve.
Nos últimos tempos, os brasileiros trocaram – de forma direta e/ou indireta – os militares (na ditadura) por Sarney (inflação de 360% ao ano, desemprego e denúncia de superfaturamento na ferrovia Norte/Sul); depois, por Collor (confisco da poupança, impeachment) e a corrupção do Fiat Elba pela delapidação da Petrobrás e, finalmente, Dilma por Temer. Na Itália, da Operação Mãos Limpas – que inspirou a Lava Jato – vieram mais corrupção e Berlusconi.
Portanto, eleitores precisam mudar:
1) Da omissão (abstenção e voto nulo) para ação (votar);
2) Do voto no candidato que atende a interesses individuais (origem da corrupção por meio da troca de votos por favores pessoais, pagos com dinheiro público, como ensina a operação Lava Jato) para o voto no candidato preparado, comprometido com as causas coletivas e com vida pregressa ilibada;
3) Do xingamento ou elogio gratuito ao governante para o ajudar e exigir deste.
Eleitos também precisam mudar:
1) Da procrastinação irresponsável para enfrentar, de imediato e com o povo, a falência da administração pública;
2) Do Projeto de Poder (que beneficia somente os que ganham a eleição) para Projeto de Governo (que beneficiará esta e as próximas gerações);
3) Da corrupção, que drena recursos (dos impostos provenientes dos 5 meses de trabalho, por ano, de todas as pessoas – que deveriam ir para saúde, educação, segurança etc.) para a transparência total (adoção de mecanismos que oportunizem controle interno e social da administração pública);
4) Do gastar demais com o Governo (muitas secretarias, cargos comissionados etc.) para investir mais nas pessoas (segurança, saúde, educação, saneamento, mobilidade urbana etc.);
5) Da incompetência (que desperdiça dinheiro público) para Projetos preventivos/interventivos (aferição de oportunidade e cumprimento de prazos, preços e qualidade contratados);
6) Do governar para o povo ( paternalismo) para governar com o povo (participação);
7) Da produção e consumo egoístas e irresponsáveis (mudanças climáticas etc.), para estratégias de desenvolvimento de baixo consumo de carbono, com vistas ao desenvolvimento sustentável (econômico, social e ambiental);
8) Do improvisar para o planejar e executar a curto, médio e longo prazo com foco na melhoria da vida coletiva; na articulação de comunidades, governos, entidades e iniciativa privada para o concretizar; e na coragem para colocar a vida de todos acima do lucro de poucos.