Lysiê Santos
Tubarão
Todos os dias passamos pelas ruas apressados, às vezes com os olhos fixos no celular, o pensamento distante. Aquela via é considerada apenas um lugar de passagem. Porém, existem milhares de pessoas que fazem das ruas seu lar. Ali, nas calçadas, a vida tem um marcador de tempo diferente, definido pelas perdas, pela indiferença e pelo sofrimento. Talvez você nem tenha percebido, mas passou por gente que tem um passado, que vive o presente com dificuldade e cujo futuro anda comprometido pela falta de oportunidades e a marginalização. Vladimir Sampaio, de 44 anos, sabe muito bem o que é ser ‘invisível’ e enfrentar o desafio diário da sobrevivência nas ruas.
Natural de Viamão, no Rio Grande do Sul, há oito anos ele deixou sua terra natal e passou a trilhar de cidade em cidade. Em maio deste ano, chegou a Tubarão e encontrou um abrigo no Albergue Noturno Pousada da Paz. Lá, recebeu alimento e um aconchego para o seu corpo cansado. Passou uns dias na cidade e resolveu ir para Içara, mas foi em Tubarão que havia se sentido acolhido e decidiu voltar. “Já passei por vários lugares e aqui foi o único local que fui bem recebido. Tubarão tem um povo acolhedor e é aqui que quero recomeçar minha vida”, afirma.
Após anos vivendo nas ruas, Vladimir quer mudar sua realidade e está em busca de uma oportunidade de trabalho. Ele alugou um espaço, e para sobreviver investe na produção de peças artesanais. Com o auxílio de um amigo, que mora há alguns anos em Tubarão, eles confeccionam quadros e barcos de madeira com símbolos de time de futebol. “Meu amigo me ajuda a fazer os barcos e tento vender nos semáforos. Mas não está fácil”, conta.
Solidariedade
Morador precisa de apoio
Vladimir precisa de uma bicicleta para se locomover e apresentar seu trabalho em outros pontos da cidade. “Gostaria de pedir a ajuda de alguma pessoa de bom coração que tenha uma bicicleta para doar, já me ajudaria muito”, solicita ele, que está desempregado e quer retornar ao mercado de trabalho. “Já trabalhei com pintura, hidráulica, como vigilante. Sei fazer um pouco de tudo. Só preciso de uma oportunidade para voltar a ser visto e poder contribuir com a sociedade”, enfatiza. Vladimir e o amigo passam por dificuldades até para comprar comida e adquirir os materiais para as peças. Quem puder colaborar com cesta básica, bicicleta, roupas ou saiba de vaga de emprego entre em contato pelo fone (48) 99831-8900. Ele também precisa de apoio com os materiais para fazer os barcos, como EVA, madeiras e cola, entre outros.
