Evangelização e vocação são dois elementos inseparáveis. Para se ter ideia da eficácia da evangelização, basta analisar a capacidade desta em suscitar vocações, ou seja, envolver inteiramente aqueles que são evangelizados, até fazer deles discípulos e apóstolos.
A vocação dos primeiros discípulos foi fruto de um encontro pessoal que suscitou neles fascínio e que transformou suas mentes e corações, de modo que reconheceram em Jesus aquele em quem se realizariam as esperanças.
A vocação cristã tem, em si, características que, se levadas a sério, ajudam a viver autenticamente a vocação específica que cada um recebeu e cultiva. Uma dessas características é a relação pessoal de amizade com Deus, que preenche o coração humano e transforma a vida. Trata-se da fé que faz com que a pessoa propague o evangelho de Jesus Cristo.
Nessa dinâmica, os cristãos são chamados a renovar, a cada dia, seu dinamismo vocacional, comunicando e compartilhando o entusiasmo e a paixão com que se vive o chamado de Deus, de modo que a vida daquele que segue Jesus se torne, por si só, uma proposta vocacional a outros e assim se estará criando aquilo que pediu o papa Bento 16: “Fortalecer a cultura vocacional na igreja”.
O pai e mestre da juventude Dom Bosco, mais do que campanhas vocacionais, soube criar um micro-clima onde as vocações cresciam e amadureciam, criando uma autêntica cultura vocacional na qual a vida é concebida e vivida como dom, vocação e missão, na diversidade das opções.
Hoje, é ainda mais necessário ter especial atenção para descobrir os possíveis sinais de vocação nos jovens. Vocação não se manifesta em um desenvolvimento quase mecânico… A inconstência juvenil pode colocá-la em sério perigo, onde a importância de se criarem ambientes adequados, mantendo neles clima espiritual que ajude a responder às exigências de seu crescimento.
Dentro da cultura vocacional, é importante destacar o ambiente de familiaridade, o clima de alegria, a dimensão apostólica e o intenso amor à igreja que já devem ser vividos na família e sociedade e depois, de modo mais concreto, dentro dos seminários, dentro das casas de formação.
A igreja de Jesus Cristo recebe um grande tesouro quando encontra uma boa vocação; que esta vocação vá para a diocese, às missões ou a uma casa religiosa, não importa. É sempre um grande tesouro que se dá à igreja de Jesus Cristo mesmo que, amadurecida, chegue-se à conclusão de que o desejo de Deus é o dom da vocação laical.
