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Willy Zumblick: Procuram-se 37 quadros!

Quadros foram furtados da casa Willy, no centro (detalhe). Três quadros foram recuperados ontem.
Quadros foram furtados da casa Willy, no centro (detalhe). Três quadros foram recuperados ontem.

Rafael Andrade
Tubarão

O furto de 40 obras do maior artista da Amurel para os críticos de arte, Willy Zumblick, ocorreu há 15 dias, em Tubarão. O caso não havia sido divulgado, até ontem, quando três telas foram recuperadas. Os policiais do Núcleo de Investigações Criminais (NIC) trabalham no caso.

Os quadros foram furtados da casa onde Willy Zumblick morou por muitos anos, na rua Ferreira Lima, no centro. Lá, estão dezenas de obras do pintor. O local não tem vigilância eletrônica. A residência está fechada, sem moradores.
A família do artista descobriu o furto alguns dias depois. E a divulgação não era conveniente para não atrapalhar as investigações.

Duas telas foram recuperadas na manhã de ontem. Estavam em um bar, no bairro Oficinas, próximo ao clube 1º de Maio. Os policiais as encontraram no banheiro. O proprietário do estabelecimento foi conduzido à Central de Polícia Civil, onde prestou depoimento e foi liberado. O comerciante informou que as obras foram ‘empenhadas’ por algumas cervejas, no valor de aproximadamente R$ 30,00. As telas são intituladas “Dança do Novo Mundo” e “Chopp Espumoso”, ambas de 1988.

No fim da tarde, a terceira obra, chamada “Via Crucies Jesus e Despojado de suas Vestes”, de 1987, foi recuperada. Os policiais receberam a informação do paradeiro e deslocaram-se até uma residência no bairro Fábio Silva. O proprietário da casa informou que comprou o quadro por R$ 50,00 e não sabia de sua procedência. Ele presta depoimento na Central de Polícia hoje.

Os quadros recuperados estão avaliados em aproximadamente R$ 60 mil. A família do artista afirma que ainda não fez o levantamento de todas as obras furtadas. “São todas catalogadas e foi uma perda irreparável”, lamenta o filho do artista, Túlio Zumblick.
Um chuveiro, um ar condicionado e outros produtos também foram furtados da casa.

O artista

Willy Alfredo Zumblick morreu aos 94 anos, em abril do ano passado. Ele participou de mais de 600 exposições. Ao todo, produziu mais de cinco mil telas. Em 2000, foi inaugurado o Centro Municipal de Cultura (CMC), no centro de Tubarão, em sua homenagem. Lá, estão organizadas 80 obras.
As suas obras de arte, na grande maioria, eram criadas e doadas. Em Tubarão, além do CMC, existem diversos locais embelezados por seus trabalhos, como a Unisul, o Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), a prefeitura, e casas de amigos e da própria família, que guarda cerca de 400 obras.

“É o artista mais importante da região. Pena que ainda não tem um estudo aprofundado de suas obras. Não tem como negar a sua importância cultural. Willy ainda não é consagrado no Brasil e no mundo. Ele precisa ser estudado mais. A crítica de arte não pode negar sua importância”, avalia a coordenadora do curso de especialização em história da arte da Unisul, Valdézia Pereira.
A família e a polícia acreditam que os ladrões dos quadros não têm a noção dos valores de cada quadro. “Pelas evidências, os ladrões não são ‘entendidos’ do ramo”, analisa um investigador. Informações podem ser passadas disque-denúncia, pelo 197.

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